A entrada para a COP na manhã desta sexta-feira, em Belém, no Brasil, foi fechada por militares do exército devido a uma manifestação de um grupo de cerca de 40 indígenas, que de acordo com a Folha de S. Paulo terão ocupado o acesso da zona sul do evento. Os participantes tiveram que entrar pela saída, com revista manual, enquanto a operação militar decorria — de acordo com a CNN Brasil, o acesso acabaria por ser normalizado pelas 6h45, 9h45 em Portugal continental.
O grupo pretendia falar com o Presidente brasileiro, Lula da Silva, que está, entretanto, em Brasília. “A nossa floresta não está à venda, nós não negociamos a mãe natureza” e “território indígena Munduruku é sagrado!; chega de invasão e desrespeito!” eram algumas das frases escritas nos cartazes dos manifestantes que, de acordo com a imprensa brasileira, protestaram pacificamente do lado de fora do local onde são realizadas as negociações sobre mudanças climáticas.
▲ Um grupo de cerca de 40 indígenas protestava do lado de fora
AFP via Getty Images
Tropas do Exército Brasileiro, da Força Nacional de Segurança Pública e da Polícia Federal iniciaram a operação de segurança assim que identificaram a presença dos manifestantes, dentro do perímetro do evento. Do lado de fora, foi mobilizado o Batalhão de Polícia de Choque da Polícia Militar. O pavilhão onde ficam localizados os stands dos países também foi evacuado pelos bombeiros, numa ação que durou pouco mais de uma hora.
Segurança reforçada após carta da ONU com críticas à segurança do evento
Na tarde da passada quinta-feira o ministério da Defesa brasileiro anunciou um reforço na estrutura de segurança para a COP, que já contava com a mobilização de 7500 militares da marinha, força aérea e exército. “O Exército Brasileiro reforçou o contingente com blindados Guarani, cerca de 450 viaturas e 90 motocicletas, além de tropas de Forças de Emprego Especializado deslocadas de diferentes regiões do país. Entre os pontos críticos protegidos também estão as hidrelétricas de Tucuruí e Belo Monte. Treinamentos prévios na selva e simulações de defesa de hidrelétricas foram realizados para preparar o efetivo”, diz o comunicado.
A divulgação dos dados da operação surge um dia depois de a ONU criticar a organização da COP30 pelas falhas de infraestrutura e segurança que resultaram na invasão por manifestantes à zona reservada às negociações diplomáticas, na passada terça-feira. O secretário-executivo da UNFCCC, o braço climático das Nações Unidas, Simon Stiell, pediu numa carta enviada à organização na quarta-feira que a proteção fosse reforçada e que os problemas de infraestrutura — como alagamentos e altas temperatura no ambiente — fossem resolvidos. Stiell fala em “falha das autoridades de segurança em se posicionar nos pontos de entrada, saída e locais vulneráveis ao redor da Zona Azul” e considera a “fragilidade do perímetro de segurança física, incluindo má qualidade de portas e portões que não puderam ser trancados; e falha do País Anfitrião em fornecer o número de pessoal de segurança acordado para apoiar a operação de segurança do UNDSS dentro da Zona Azul”.