A ex-primeira-ministra do Bangladesh, Sheikh Hasina, foi condenada a pena de morte por crimes contra humanidade esta segunda-feira, devido à sua atuação durante uma manifestação anti-governo em 2024. Hasina, o antigo ministro da Administração Interna, Asaduzzaman Khan Kamal, e o antigo chefe de polícia, Abdullah al-Mamun, foram considerados culpados por permitir o uso de força letal contra manifestantes e falhar em prevenir atrocidades contra eles, escreve a BBC. Enquanto Hasina e Khan Kamal receberam a pena capital, al-Mamun foi condenado a cinco anos de prisão, por contribuir com as investigações. Dentro e fora do tribunal a decisão gerou comoção. Uma multidão que acompanha o julgamento aplaudiu a sentença, e um pequeno grupo pedia mesmo uma pena de morte por enforcamento.
Hasina foi acusada em junho por um tribunal especial do Bangladesh por crimes cometidos durante a revolta popular que levou à queda do seu regime em 2024. A ex-primeira-ministra fugiu do país em agosto de 2024, após várias semanas de violentos tumultos, e refugiou-se na vizinha Índia, que nunca respondeu aos pedidos de extradição das autoridades do Bangladesh. O julgamento decorreu sem a presença de Hasina.
Através de um comunicado divulgado pela AFP e pela Al Jazeera, a ex-primeira-ministra disse: “Os veredictos anunciados contra mim foram proferidos por um tribunal fraudulento, estabelecido e presidido por um Governo não eleito e sem mandato democrático. São tendenciosos e politicamente motivados”.
Amir Hossain, advogado de defesa nomeado pelo Estado no caso de Hasina, afirmou que não pode recorrer da sentença, a não ser que a antiga líder se entregue ou seja detida pelas autoridades de Bangladesh. “Não tenho a oportunidade de apresentar um recurso neste caso, a não ser que os meus clientes se entreguem ou sejam presos por outros meios”, disse Hossain, citado pela agência de notícias Bangladesh Sangbad Sangstha.
Por seu turno, o Governo interino do Bangladesh considerou que a sentença de morte de Hasina é um “veredito histórico”, acrescentando que o seu significado é “profundo”. No entanto, Muhammad Yunus, líder do executivo interino, apelou à calma, sublinhando que qualquer tentativa de criar “anarquia, caos ou perturbar a ordem pública seria rigorosamente reprimida“.
De acordo com a ONU, pelo menos 1.400 pessoas foram mortas durante a repressão da revolta contra Hasina, que chegou ao poder em 2009 e é conhecida no país como “dama de ferro”. O tribunal especial acusou Hasina de ter ordenado ações que resultaram em assassínios em massa, ferimentos, violência dirigida contra mulheres e crianças, queima de corpos e recusa de tratamento médico aos feridos. O relatório do tribunal alega que mais de 1.500 pessoas foram mortas, mais de 25.000 ficaram feridas e muitas outras foram sujeitas a tortura e outros tratamentos desumanos durante a revolta, segundo a agência de notícias espanhola EFE.