O Tribunal de Sintra absolveu esta segunda-feira o ator Carloto Cotta dos nove crimes de que estava acusado, incluindo de sequestro e violação. Em causa, está a denúncia de uma mulher que dá conta de que o ator teria cometido crimes em maio de 2023, na casa que este detém em Colares.

Carloto Cotta, julgado por violação e sequestro, conhece decisão do tribunal a 17 de novembro

“O arguido Carloto Cotta e a assistente [alegada vítima] conheceram-se no Cascais Shopping. Trocaram diversas mensagens nas redes sociais. A 3 de maio, convidou-a para se encontrarem em Colares, na sua casa. A assistente deslocou-se e aguardou pela sua chegada. Convidou-a para subir à sua casa. Quando a assistente chegou, ambos entraram em casa e a porta foi fechada a chave. Ambos consumiram gin e envolveram-se”, disse o juiz na sentença final, citado pelo Correio da Manhã.

O juiz Carlos Camacho adiantou, ainda, que “as trocas de mensagens nesse dia tinham como presunção que havia encontro sexual”: “O arguido tinha hábito de trancar a porta de casa por causa dos cães. Não tem registo criminal”. “É uma cara conhecida da televisão e do cinema. Recebeu dois Globos de Ouro. Nas conversas no Instagram, a assistente mostrava entusiasmo e insistia em encontrar-se com o ator“, acrescentou o magistrado.

Sobre a alegada vítima, o juiz afirmou que esta “apresentou múltiplas versões. Na GNR e na PJ foram diferentes. Não oferece credibilidade”. Além disso, sublinhou o facto de que a assistente estava “tranquila” e com acesso ao telemóvel no dia seguinte ao suposto crime, não correspondendo com o sequestro de vinte horas “descrito na acusação”.

“Existem conversas onde a assistente mostra toda a vontade de estar com o arguido. Há registo de mensagens, mas negou em tribunal”, concluiu, condenando-a nas custas cíveis dos pedidos de indemnização.

“Foi a vitória da verdade”, garante advogado do ator

Em declarações aos jornalistas à saída do tribunal, o advogado de Carloto Cotta, Rui Patrício, mostrou-se satisfeito com a decisão tomada. “Quando recebi este caso, a primeira preocupação foi convencer-me de que o Carloto era inocente. E convenci-me sem nenhuma dificuldade. Mantive essa convicção até ao fim e, pelos vistos, estava certo, porque o tribunal achou exatamente a mesma coisa”, disse.

“O tribunal absolveu o Carloto sem nenhuma dúvida e sem hesitações. Foi a vitória da verdade”, sublinhou Rui Patrício.

Por seu turno, a advogada da alegada vítima, Cristina Borges de Pinho, afirmou que está a ponderar apresentar um recurso, uma vez que considerou o depoimento da cliente “do mais credível” que viu nos “quarenta anos de carreira”.

O ator de 41 anos tinha sido acusado pelo Ministério Público de nove crimes: um de importunação sexual, um de coação sexual, um de violação, um de sequestro na forma agravada, dois crimes de ameaça agravada, um de coação agravada, um de ofensa à integridade física simples e um de injúria.