A província canadiana de Ontário — com uma superfície três vezes superior à da Alemanha, incluindo a capital Otava e a maior cidade do país, Toronto — tomou uma curiosa decisão em relação ao combate ao excesso de velocidade. Até aqui, os radares eram a arma predilecta das autoridades para incentivar ao respeito pelos limites de velocidade, punindo os prevaricadores, mas foram trocados por alternativas que visam não o aumento das receitas, mas sim a eficácia.

O político à frente da província, Douglas Ford, considera que os radares são uma fonte mais eficiente para encher os cofres do Estado do que para obrigar a uma redução da velocidade, meta importante numa fase em que Ontário — como muitos outros locais por esse mundo fora — enfrenta um número preocupante de acidentes rodoviários devido à condução acima dos limites de velocidade. E, como os radares de velocidade não estão a cumprir a sua função principal, a de desincentivar os condutores com o pé pesado, a solução foi recorrer a lombas, passadeiras sobrelevadas, rotundas e, claro está, mais policiamento, sobretudo próximo de escolas e zonas mais movimentadas e com peões.

Para que a alteração de estratégia funcione, os governantes planeiam investir 210 milhões de dólares canadianos, cerca de 129 milhões de euros, na implementação de novas medidas para “acalmar” os automobilistas, sem que estes corram o risco de receber pelo correio as sempre desagradáveis multas. O ministro dos Transportes Prabmeet Singh Sarkaria anunciou, na passada semana, o investimento de 42 milhões de dólares canadianos em Toronto, nas mencionadas passadeiras e lombas em zonas que antes tinham câmaras e radares. Os próximos 168 milhões serão distribuídos por cidades seleccionadas a partir de 2026, de acordo com as declarações do ministro à cadeia de televisão CBC.

A Abacus Data, empresa especializada em estudos de mercado, realizou uma sondagem a 2000 adultos de Ontário, tendo concluído que 50% dos inquiridos prefere as lombas aos radares, enquanto 33% pensa exactamente o contrário. Simultaneamente, em 80% das respostas, os inquiridos admitiram que conduziam mais devagar em zonas com lombas. Isto apesar de não faltar quem conteste a nova estratégia, que prevê a distribuição de lombas mais largas e suaves, que apenas se tornam desconfortáveis (para o condutor e potencialmente capazes de danificar o carro) a partir de 30 km/h, mas também lombas mais estreitas e altas, que incitam a ser transpostas até 15 km/h.

Contudo, há um problema que o Governo ainda não explicou como vai resolver e que se prende com o financiamento dos polícias que guardam as passadeiras nas proximidades de escolas, bem como de outros programas de segurança rodoviária, cujos fundos provinham de 41% das receitas resultantes das multas passadas pelos radares, o que levou a presidente da câmara de Toronto, Olivia Chow, a perguntar quem iria passar a pagar os ordenados a estes agentes. Da restante receita dos radares, 35% destina-se a suportar os custos associados ao equipamento e à respectiva manutenção, necessariamente elevada face aos actos de vandalismo, sendo que os restantes 24% pertencem à província.