O embaixador português em Maputo, Jorge Monteiro, estimou esta terça-feira que cerca de 20 acordos serão assinados durante a cimeira entre Portugal e Moçambique, agendada para os dias 8 e 9 de dezembro.

“A expetativa é grande, esperamos que sejam assinadas cerca de duas dezenas de acordos bilaterais em vários domínios, desde as finanças, a cooperação na reforma da administração pública, a digitalização, as energias renováveis, um leque de áreas de atividades”, disse o embaixador.

O diplomata falava à margem de uma sessão de apresentação do portfólio de projetos e procedimentos de contratação pública para procurement do Banco Mundial, promovida pelo banco, junto da Embaixada de Portugal em Maputo, Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), em que, avançou, continua em avaliação o valor global dos projetos e negócios que poderão ser concluídos durante a cimeira luso-moçambicana, a decorrer em Portugal.

“Acreditamos também que sejam discutidos novos instrumentos de apoio ao financiamento à economia moçambicana, temos uma forte expetativa que sejam criadas as condições para relançar a relação bilateral no domínio económico e na cooperação alargada que mantemos em Moçambique”, disse o embaixador.

Segundo Jorge Monteiro, espera-se também que as empresas moçambicanas comecem a investir no país europeu, a par do setor privado português, que tem cerca de 500 empresas em Moçambique.

À margem da cimeira, adiantou, vai decorrer um fórum de negócios entre empresas moçambicanas e portuguesas, cujo objetivo é divulgar as oportunidades que existem atualmente em ambos os mercados. “Nós queremos ir mais longe por duas razões fundamentais: as empresas portuguesas conhecem bem a realidade moçambicana, falam a mesma língua e que têm conhecimento de há muitos anos da realidade moçambicana. A nossa presença aqui não é passageira ou temporária, é uma aposta a longo prazo”, disse Jorge Monteiro.

A 30 de outubro, o embaixador português em Maputo destacou à Lusa a “relação muito forte e intensa” com Moçambique, perspetivando ver assinado um “bom número” de acordos bilaterais na cimeira bilateral de dezembro.

“Nós temos uma relação muito forte, muito dinâmica com Moçambique, somos países que partilhamos um passado, partilhamos uma história, mas partilhamos também um presente e um futuro e é uma relação muito intensa a todos os níveis, porque temos cá uma forte comunidade portuguesa, que está cá há muitos anos”, disse o embaixador naquela data.

O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, anunciou, a 3 de julho, a realização da cimeira luso-moçambicana, a 8 e 9 de dezembro, em Portugal, e defendeu que os dois países têm lideranças em início de ciclo com capacidade de transmitirem nova energia à cooperação.

Durante a quinta cimeira Moçambique — Portugal, realizada em setembro de 2022, em Maputo, foram assinados entre os dois governos 18 acordos e memorandos, envolvendo áreas como capacitação institucional nos setores da agricultura, educação, justiça, saúde, património e cultura, a Escola Portuguesa de Moçambique, a promoção da língua portuguesa e o financiamento às empresas e criação de emprego em Cabo Delgado, província no norte do país palco de ataques terroristas.