O presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, defendeu este sábado, em Maputo, que os parlamentos devem ser espaços de respeito, credibilidade e o “local certo” para encontrar “soluções” e “consensos” para os problemas da sociedade.

“É nos parlamentos que se tomam as decisões, é nos parlamentos que se obtêm os consensos, é nos parlamentos que se aprovam as leis que depois impactam no dia a dia das pessoas, dos cidadãos. E os parlamentos devem ser precisamente esse espaço de respeito, de prestígio, de credibilidade, em que a sociedade olha para o parlamento como o local certo para se encontrarem as soluções para os seus problemas”, disse Aguiar-Branco.

O presidente do parlamento português iniciou este sábado uma visita oficial a Moçambique, a convite da Assembleia da República moçambicana, com um encontro com a comunidade portuguesa em Maputo, no âmbito do tradicional magusto organizado localmente, na Escola Portuguesa.

“A prática que podemos trocar entre Portugal e Moçambique é a prática parlamentar que efetivamente permita encontrar as melhores soluções, é um espaço de conversas, de diálogos que vamos ter e não tenho dúvida alguma que o reforço do prestígio dos parlamentos como espaço de consenso e de tomada de decisão contribui também para uma melhor harmonia na sociedade”, acrescentou.

A visita decorre até 11 de novembro, entre Maputo e a cidade da Beira, a convite da presidente da Assembleia da República moçambicana, Margarida Talapa, prevendo também um encontro com o chefe de Estado, Daniel Chapo.

“Eu fiz questão de também começar esta visita oficial a Moçambique precisamente com um encontro com a comunidade portuguesa, aproveitando também um magusto que é uma festa tradicional em Portugal, e sentir como é forte a relação humana entre portugueses, moçambicanos de diversas origens e que fortalece a relação, que é a relação mais forte entre dois povos, que é a relação humana”, destacou.

Segundo Aguiar-Branco, a visita visa “estreitar as relações” entre os dois parlamentos: “Sabemos bem que a relação parlamentar é importante para a estruturação do que deve ser um regime democrático e a colaboração que temos tido entre Portugal e Moçambique tem sido exemplar a esse nível”.

“E também para vermos o que é que é possível construirmos para o futuro. Sabemos bem que partilhamos uma história, partilhamos o passado, é o chão comum que nos une, mas é importante construir o futuro. E há várias áreas onde esse futuro pode ser construído e vamos também seguramente trocar boas impressões sobre essa matéria para que se renove sempre uma relação de esperança e de força positiva entre Portugal e Moçambique”, concluiu.

Ainda hoje, José Pedro Aguiar-Branco participou na inauguração da exposição “Artistas Solidários”, no Camões – Centro Cultural Português.

Na segunda-feira vai reunir-se com a homóloga moçambicana, ainda em Maputo, encontro durante o qual os dois responsáveis assinarão um protocolo de cooperação entre os parlamentos de Portugal e de Moçambique. Após a assinatura do acordo, o presidente da Assembleia da República portuguesa fará uma intervenção na sessão plenária da Assembleia da República de Moçambique.

“Sabemos que Moçambique preside neste momento à Assembleia Parlamentar do CPLP e Portugal será o próximo hospedeiro (…) Iremos trocar algumas impressões no domínio político, mas não só, também sabemos que temos que começar a pensar também na economia dos nossos países”, destacou Feliz Sílvia, deputado e chefe da bancada parlamentar da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo, partido no poder).

Para o deputado, a visita oficial de Aguiar-Branco “é extremamente importante” no contexto do desígnio nacional de Moçambique, de atingir a “independência económica”.

“Portugal é um dos maiores parceiros políticos, mas também económicos de Moçambique. E esta visita, acreditamos que vai relançar ainda mais no domínio parlamentar, porque as Assembleias da República têm que começar a olhar não apenas para questões políticas, mas também para questões económicas. Os nossos povos estão a crescer, os nossos povos têm que cimentar ainda mais as relações”, disse ainda, destacando a importância de implementar o acordo de mobilidade na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).