José Sócrates reagiu esta quarta-feira à nomeação do juiz Carlos Alexandre para liderar a Comissão de Combate à Fraude no Serviço Nacional de Saúde, dizendo que o “cargo foi criado especialmente para acomodar esta escolha”. Numa declaração enviada à comunicação social esta quarta-feira, o antigo primeiro-ministro diz que a escolha de Carlos Alexandre é “uma pouca-vergonha”.
“O juiz Carlos Alexandre foi nomeado pelo atual Governo de direita para um cargo político. Esse cargo foi criado especialmente para acomodar esta escolha. A nomeação vem provar – sem remissão — a parcialidade política que exuberantemente exibiu durante o inquérito do processo Marquês”, lê-se no texto a que o Observador teve acesso.
José Sócrates considerou esta escolha “uma pouca-vergonha, para utilizar a expressão que o senhor primeiro-ministro trouxe recentemente para o espaço público”.
“Há muito a dizer. Por agora, fiquemos pela analogia do lawfare brasileiro. A crónica desta nomeação de Carlos Alexandre é em tudo semelhante à do juiz Sérgio Moro. Ali, o juiz prendeu o adversário político e recebeu o prémio de ministro de Bolsonaro; aqui, a paga, vem, cuidadosamente, onze anos depois da minha prisão no processo Marquês”, disse também. “Lá, como cá, a escolha dos juízes foi vigarizada — aqui com a fraude na distribuição, ali com a trapaça da escolha da jurisdição”.
Segundo Sócrates, citado na mesma declaração “agora, só falta a “Prenda de Natal”, já prometida pelo Senhor Procurador-Geral ao Senhor Primeiro-Ministro”. “Voltarei ao assunto”, promete.