Num inquérito realizado, a nível nacional, pela L’Oréal Paris em parceria com a IPSOS, 52% dos inquiridos disseram acreditar que, por vezes, as mulheres são responsáveis pelas situações de assédio que sofrem, seja devido à forma como se vestem, seja pelo comportamento ou pela aparência. Neste sentido, urge mudar mentalidades, enquanto se capacita as mulheres a saberem como agir em caso de assédio sexual ou enquanto testemunhas de episódios do mesmo. É por isso que a L’Oréal Paris lança, em Portugal, mais uma edição da campanha “A culpa nunca é tua”, integrada no programa Stand Up Contra o Assédio em Locais Públicos.

Assédio sexual: o que é?

O assédio sexual relaciona-se com todo o tipo de comportamento indesejado e reiterado de carácter sexual, quer seja feito de forma verbal, não verbal ou físico. O objetivo ou o efeito é o de perturbar ou constranger a vítima, afetar a sua dignidade ou de lhe criar um ambiente intimidativo, hostil, desestabilizador e humilhante. O assédio sexual pode acontecer em diferentes contextos, incluindo no espaço público. Aos olhos da lei portuguesa, este tipo de comportamento constitui uma contraordenação muito grave. Porém, continua a ser praticado.

O que é considerado assédio sexual em local público?

Nem sempre é fácil identificar o assédio sexual em locais públicos. Muitas vezes, quem o pratica fá-lo de forma subtil e enganadora. E, noutras tantas, a vítima pode não entender, de imediato, que está perante um caso de assédio. Exemplos destes episódios são:

  • Elogios sarcásticos;
  • Apalpar;
  • Invadir o espaço pessoal de alguém;
  • Encostar-se ou roçar-se no corpo da pessoa sem o seu consentimento;
  • Ataques sexuais furtivos, como apalpar os seios ou nádegas quando a vítima não está atenta;
  • Piadas sexistas;
  • Insinuações sexuais;
  • Graffitis sexistas e insultuosos;
  • Olhares inapropriados de carácter sexual e que causam desconforto;
  • Insistência em saber qualquer informação da vida pessoal (como nome ou número de telefone).

Factos e estatísticas

80% das mulheres que participaram no estudo International Survey on Sexual Harassment in Public Spaces (2023), realizado pela IPSOS em conjunto com a L’Oréal Paris, responderam que já sofreram assédio sexual em espaços públicos. Um número alarmante que revela o quão comum e normalizado este problema está na nossa sociedade. O mesmo estudo procurou saber junto das inquiridas (oriundas de 20 países diferentes), as taxas de prevalência de diferentes tipos de assédio sexual em locais públicos. Entre os três mais comuns estão: “olhares indiscretos e inapropriados de carácter sexual, gestos, olhares fixos que me fazem sentir desconfortável” (54% das inquiridas); “comentários ou piadas sexualmente sugestivos ou intrusivos sobre o meu aspeto, o meu vestuário, a minha anatomia ou a minha aparência que me façam sentir desconfortável” (47%); e “alguém assobiar-me repetidamente, chamar-me, fazer sons de beijos, uivar ou mexer os lábios de forma sexual” (45%).

“Alguém ser intrusivo e insistir em saber o meu nome, número de telefone ou qualquer informação pessoal, ou pressionar para conseguir um encontro” e “alguém que se refere a mim de forma inadequada e repetida como rapariga, borracha, boneca, bebé ou miúda, alguém que me insulta (chamando-me cabra, prostituta, vadia, etc.)” foram também ambos mencionados por 40% das inquiridas. Ainda que numa percentagem mais reduzida, é também comum o assédio em que alguém se expõe de uma forma sexual ou que se masturba à frente da vítima (29% responderam já se terem deparado com tal); alguém mostrar imagens sexualmente explícitas que geram desconforto à vítima (26% passou por isso); ou a vítima sentir pressão indesejada e repetida por favores sexuais, como insistir que se mostre partes do corpo que não quer mostrar (24% das mulheres afirmaram ter-lhes acontecido).

Importa, contudo, ressalvar que, apesar de para este estudo terem sido apenas ouvidas mulheres, o assédio sexual também acontece com homens, ainda que em menores proporções.

“A culpa nunca é tua”

Os números do estudo International Survey on Sexual Harassment in Public Spaces não deixam dúvidas: é preciso agirmos enquanto sociedade para combater o assédio sexual. Neste sentido, a L’Oréal Paris lança, em Portugal, mais uma edição da campanha “A culpa nunca é tua” — integrada no programa Stand Up Contra o Assédio em Locais Públicos —, que estará no ar até 17 de dezembro. O objetivo é claro: mudar mentalidades, combater o estigma e capacitar a população para agir com segurança quando confrontada com situações de assédio.

Com a campanha, a L’Oréal Paris dá continuidade ao seu trabalho em prol do empoderamento feminino, da igualdade de género e da liberdade de se ser quem se é, sem medo nem limitações impostas pelo julgamento dos outros. A marca defende que a beleza começa na liberdade e na confiança, e que nenhuma mulher deve ajustar a sua forma de ser ou estar por receio de ser alvo de assédio.

Capacitar para agir

Com o intuito de proteger a autoestima de mulheres e homens, a L’Oréal Paris aliou-se à ONG Right To Be, para criar um conjunto de ferramentas que ajudam as pessoas a intervir com segurança quando são vítimas ou testemunhas de assédio em espaços públicos. Foi assim que nasceu o programa Stand Up, cujo principal objetivo passa por consciencializar sobre este problema global e formar as pessoas sobre como reagir com segurança quando presenciam ou testemunham assédio em locais público, com base na metodologia 5D: distrair, delegar, documentar, direcionar, dialogar. O programa não só oferece formação para saber como agir em caso de se ser assediada em locais públicos, como também sobre como agir se se testemunhar um episódio de assédio.

Cerca de 4500000 pessoas já concluíram a formação Stand Up. Faça parte destes números e combate o assédio em locais públicos.