Chegou o dia em que tudo se resume a 90 (ou 120) minutos. Este sábado, a América do Sul conheceu o seu novo campeão continental, no dia mais aguardado pelos adeptos do Palmeiras e do Flamengo, que percorreram o continente de uma costa à outra para verem a sua equipa em ação no Monumental de Lima, no Peru. Em jogo estava a Glória Eterna na competição de clubes mais importante da Conmebol e que mistura o misticismo e a história como uma simples partida de futebol. Que de simples não tem nada. Que o digam os treinadores Abel Ferreira e Filipe Luís. Este jogo marcou o reencontro entre porco e mengão, equipas que se enfrentaram há pouco mais de um mês no Brasileirão, que está praticamente carimbado pelos cariocas. Em termos continentais, esta foi apenas a segunda vez que Palmeiras e Flamengo mediram forças na Taça dos Libertadores, e sempre na final — os paulistas ganharam em 2021 (2-1, a.p.). Ponto assente era, a partir deste sábado, a ultrapassagem do Brasil à Argentina na lista de países que ganharam a Taça dos Libertadores estava cada vez mais próxima (25 títulos contra 25).
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“Tivemos de tomar uma decisão. Nos últimos cinco anos fomos campeões duas vezes, duas vezes vices no Brasileirão e tivemos de decidir. Há uma ambição e um desejo interno de ganhar e tomámos uma decisão de apostar as fichas todas nesta competição. As duas equipas conhecem-se e muito mais a mim que estou no Palmeiras há cinco anos. É uma final. Agora será definida por detalhes. O treinador do Palmeiras pode ter jogadores que podem fazer várias posições e a surpresa pode ser essa, nas dinâmicas. A verdade é que ainda tenho peixe, mas não é coincidência. Três vezes [na final] não é coincidência, é muito trabalho, muita preparação. O calendário dos últimos meses é que foi diferente, teve de se encavalitar muitos jogos. Nas outras duas houve tempo de preparar os jogos, uma semana. Sou muito grato por, em cinco anos, poder estar três vezes na final e chegar a uma meia-final”, perspetivou Abel.
“2021? São finais diferentes, momentos diferentes. Claro que está gravado na cabeça do adepto aquela derrota. No final de contas, quando duas equipas entram em campo numa final, só uma sai vencedora. Foi o Palmeiras. E em relação àquele grupo há muitos jogadores novos. O treinador do Flamengo agora é outro. Os jogadores do Palmeiras também, muitos deles são novos. Ficaram poucos daquele título. Temos de aproveitar, desfrutar e viver esse momento, porque estar em mais uma final de Libertadores é um privilégio. É muito difícil estar aqui para alcançar esse sonho. É um momento especial para mim e para os jogadores. É uma sensação diferente, porque quando eu era jogador, tinha de pensar sozinho, no meu corpo, nas minhas pernas e em como me ia comportar dentro do campo. Agora tenho de preparar tudo para cada jogador”, assumiu Filipe na antevisão.
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A final 66.ª edição da Libertadores começou 15 minutos depois do previsto, devido ao infernal trânsito de Lima, que levou o autocarro do verdão a atrasar-se na chegada ao Monumental. Abel Ferreira apostou no onze habitual, com Flaco López e Vitor Roque no ataque e o capitão Gustavo Gómez a comandar a defesa, tornando-se, assim, no jogador do Palmeiras com mais jogos na Libertadores, a par de Weverton, que tem estado lesionado (80). No Flamengo, Filipe Luís manteve Danilo ao lado de Léo Pereira no centro da defesa, apostando em Jorge Carrascal e Samuel Lino para os corredores no seu habitual 4x2x3x1. O troféu chegou ao relvado pelas mãos de Felipe Melo e Júlio César, campeões pelos dois clubes, e de Carles Puyol.
O jogo começou bastante equilibrado e amarrado, com as equipas a encontrarem dificuldades para chegar à baliza adversária. A primeira oportunidade pertenceu ao Flamengo, com Guillermo Varela a deambular da linha para o meio e a servir Bruno Henrique que, solto de marcação, atirou por cima (15′). No lance seguinte, Giorgian de Arrascaeta conduziu uma transição rápida pelo meio, Lino recebeu na direita, passou por Khellven e, à entrada da área, desferiu um remate cruzado para fora (16′). Na primeira ocasião palmeirense, Murilo ganhou a Carrascal e encontrou Khellven na direita, o lateral cruzou largo e, com um cabeceamento picado, Roque fez a bola passar por cima da baliza de Agustín Rossi (21′).
Erick Pulgar deixou a perna do adversário neste estado com uma entrada bastante dura ????#sporttvportugal #LIBERTADORESnaSPORTTV #Libertadores #GloriaEterna #Palmeiras #Flamengo pic.twitter.com/uBjw3y8q5t
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A partir daí, o encontro voltou a uma toada muito física, com os jogadores a levarem o jogo ao limite, tendo o seu ponto alto numa entrada bastante dura de Erick Pulgar sobre Bruno Fuchs, que ficou com duas marcas na perna (32′). Apesar dos protestos do Palmeiras, o árbitro Darío Herrera ficou-se pelo amarelo, sem intervenção do VAR Héctor Paletta. A fechar a primeira parte, Carrascal encontrou Henrique na profundidade, o internacional brasileiro recebeu dentro da área, passou por Carlos Miguel e rematou, só que a defesa chegou a tempo de cortar (43′). Desta forma, a final chegou empatada e totalmente em aberto ao intervalo, altura em que Abel voltou a protestar com a equipa de arbitragem, que terminou o o jogo antes de um canto para o Palmeiras (0-0). Esse momento motivou uma grande confusão no relvado.
A etapa complementar abriu com o Palmeiras à beira do golo, com Andreas Perreira a encontrar Allan na área e, depois de um ressalto, Flaco López a rematar contra um defesa (50′). Na resposta, Bruno Henrique serviu De Arrascaeta na área, o médio rematou, mas Gustavo Gómez fez o bloqueio na altura certa (53′). Pouco depois, Arrascaeta cobrou um canto na direita e, ao segundo poste, Danilo cabeceou para o golo (67′). Já com Everton Cebolinha em campo, uma bola na área do Flamengo sobrou para Murilo que, com um remate cruzado, atirou ao lado (71′). Abel Ferreira respondeu com Felipe Anderson e Facundo Torres numa primeira instância e Agustín Giay, Ramón Sosa, Luiz Araújo, Juninho e Maurício. O porco carregou até ao fim e, num lance em que bola foi despejada na área, Gustavo Gómez cabeceou contra Danilo e Vitor Roque, na pequena área, atirou por cima, com a bola a desviar em Araújo (89′). Na resposta, Everton ganhou uma falta à entrada da área e assumiu a cobrança do livre, obrigando Carlos Miguel a defender para o poste, com Carrascal a atirar para fora na recarga (90+2′).
Danilo desbloqueia o marcador na final!
1-0 para o Flamengo ????⚫️#sporttvportugal #LIBERTADORESnaSPORTTV #Libertadores #GloriaEterna #Palmeiras #Flamengo pic.twitter.com/TkppfSzo8x
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Desta forma, o Flamengo conquistou a Libertadores pela quarta vez e tornou-se na equipa mais titulada do Brasil, igualando os argentinos do Rivel Plate e do Estudiantes. Em finais, o mengão continua com apenas uma derrota, a de 2021 com o Palmeiras. Em termos individuais, Filipe Luís tornou-se no segundo brasileiro a vencer a competição como jogador e como treinador, registo que já tinha sido alcançado por Renato Gaúcho no Grémio. Danilo, o ex-jogador do FC Porto e que foi a figura desta final, voltou a decidir uma Libertadores no ano em que regressou ao Brasil e na segunda vez que disputou a competição. Se recuarmos a 2011, o lateral fez o segundo golo do Santos frente ao Peñarol em São Paulo, num jogo que acabou 2-1 para a equipa que tinha ainda Neymar.