A primeira mão existiu, mas limitou-se a adiar tudo para a segunda. Numa final da Liga das Nações disputada a duas mãos e depois do empate a zeros em Kaiserslautern na semana passada, Espanha e Alemanha decidiam finalmente quem ficava com o troféu da segunda edição da competição — sendo que ambas precisavam muito de um dia bom.

De um lado, Espanha precisava de deixar para trás a derrota na final do Campeonato da Europa, no verão e contra Inglaterra, e recuperar o estatuto quase teórico de melhor seleção do mundo. Mais do que isso, as espanholas precisavam de provar que o novo capítulo, depois da saída de Montse Tomé e com a chegada de Sonia Bermúdez num corte profundo com os tempos de Luis Rubiales e Jorge Vilda, será igualmente bem sucedido.

“Gostava muito de que conquistássemos o troféu pelas jogadoras, porque o merecem. É uma geração que lutou imenso para chegar a finais e mudar o rumo do futebol espanhol. É de destacar que, graças ao futebol delas, amanhã vão estar 70 mil pessoas no Metropolitano. E também pelo staff e por todos os que trabalham na Federação, porque eu estou aqui sentada mas há pessoas por trás que nos apoiam para que nada nos falte. A nível pessoal, seria um sonho poder vencer amanhã”, atirou a selecionadora espanhola, que ultrapassou a Suécia nas meias-finais.

Do outro lado, a Alemanha precisava de voltar aos tempos em que dominava o futebol feminino europeu. Depois da desilusão total no Campeonato do Mundo de 2023, onde não passaram da fase de grupos, as alemãs alcançaram a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Paris e chegaram às meias-finais do último Campeonato da Europa, algo que abriu a porta à vontade de recuperar o poderio que outrora conquistou dois Mundiais, oito Europeus e um ouro olímpico.

“Estas finais são pontos altos para qualquer jogadora e qualquer treinador. Trabalhamos todos os dias para estes jogos. Estamos incrivelmente entusiasmados e também estamos felizes por ser contra Espanha, porque vai ser um desafio e vai exigir uma performance de topo. A meia-final do Europeu foi equilibrada e temos de estar à espera de voltar a ter pouca de posse de bola. Queremos fechar os espaços e depois explorá-los, temos de ser eficazes a fazer isso”, sublinhou Christian Wück, o selecionador alemão, que afastou França na outra meia-final.

Esta terça-feira e no Metropolitano de Madrid, Sonia Bermúdez não podia contar com Aitana Bonmatí, que partiu o perónio no treino de domingo, já foi operada e vai parar por tempo indeterminado. Assim, a selecionadora espanhola apostava em Vicky López para render jogador do Barcelona, mantendo Clàudia Pina e Mariona no apoio mais direto a Esther González. Já o treinador alemão lançava exatamente o mesmo onze inicial da primeira mão, com Klara Bühl, Jule Brand e Selina Cerci nas costas de Nicole Anyomi, a referência ofensiva.

Depois de uma hora sem golos, onde parecia cada vez mais que a segunda mão da final iria terminar com o resultado da primeira e obrigar a um prolongamento, apareceu Clàudia Pina. Com um remate forte de fora de área e muitas responsabilidades de Ann-Katrin Berger, que largou a bola quando parecia ter tudo controlado, a jogadora do Barcelona abriu o marcador e também abriu caminho para os festejos espanhóis (61′).

Vicky López aumentou a vantagem pouco depois, com um belo remate de pé esquerdo em jeito que não deu qualquer hipótese à guarda-redes alemã (68′), e Pina ainda teve tempo para bisar com um grande pontapé de longe na sequência de uma transição rápida (74′). Com três golos em 13 minutos, Espanha venceu a Alemanha, voltou a conquistar a Liga das Nações depois de já o ter feito no ano passado e garantiu que o próximo capítulo tem tudo para ser tão bom como o anterior.