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“Hoje a Ucrânia está mais próxima da paz do que nunca. Há uma hipótese real“. As palavras foram proferidas esta terça-feira pelo Presidente ucraniano num discurso no parlamento da Irlanda. Volodymyr Zelensky assegurou aos deputados irlandeses que a Ucrânia quer pôr fim à guerra, garantindo que as autoridades de Kiev estão focadas e envolvidas nas negociações. “O mundo deve aproveitar esta oportunidade para a paz”, advertiu.
Zelensky começou por agradecer à Irlanda pelo apoio que tem prestado, traçando também uma comparação entre a história dos dois países. “Os nossos povos, ucraniano e irlandês, são dos poucos que passaram centenas de anos a lutar pelo direito de permanecer como nós próprios”, afirmou.
O foco da mensagem do líder ucraniano acabaria por ser a importância da união para se alcançar a paz. “Para restaurar a justiça e defender o que está certo precisamos de uma comunidade feita de muitas nações“, apontou. Zelensky apontou que quando um país é apoiado por uma verdadeira comunidade “não pode ser esmagado” e os seus direitos podem ser “restaurados”.
“Ninguém pode quebrar o mundo sozinho. Nem mesmo a Rússia. Ninguém pode mentir ao mundo inteiro para sempre. Nem mesmo Putin”, afirmou. “Ninguém pode estar contra todos os outros e isso é a verdade. Mas é também verdade que alguém pode inspirar os outros e é por isso que a Ucrânia está a lutar por todas as vozes do mundo”, acrescentou.
“Sem uma paz justa, o ódio não vai desaparecer”, afirma Zelensky
O líder ucraniano lembrou que a “memória humana é muitas vezes curta e atenção pode ser fugaz”. “Por favor lembrem ao mundo sempre que for necessário: a invasão russa da Ucrânia é um ato criminoso de agressão que requer justiça”, afirmou.
Volodymyr Zelensky disse que a invasão russa aconteceu por um único motivo: “A Rússia quer tratar a Ucrânia como sua propriedade e os ucranianos como se fossem gado do seu quintal”.
O líder ucraniano pediu um reforço das sanções contra a Rússia e apoio para a criação de um tribunal especial para julgar a invasão. Sublinhou também a importância de devolver as crianças levadas pelas forças russas e os prisioneiros detidos desde 2014, ano da ocupação da península da Crimeia. Zelensky recordou ainda o desejo de adesão à União Europeia: “Queremos estar ao lado da Irlanda na UE, como iguais. Estou confiante de que isso vai acontecer. A Europa não pode fugir dos seus próprios valores”.
O Chefe de Estado defendeu a necessidade de uma paz verdadeira, “sem humilhação” e baseada em “valores partilhados”. “Isto já se prolonga há demasiado tempo para simplesmente fecharmos os olhos e virarmos a página em relação à Rússia. Sem uma paz justa, o ódio não vai desaparecer”, afirmou, acrescentando que “continuará a arder e a provocar novos atos de violência”.
“A História já viu isto antes e desta vez tem de ser diferente. Precisamos de uma paz verdadeira. Ajudem-nos a consegui-la”, pediu.