A startup portuguesa Spotlite fechou uma ronda de investimento seed de 3,5 milhões de euros, que foi co-liderada pela Indico Capital Partners e pela Explorer Investments.

A empresa fundada por Ricardo Cabral e Martino Correia desenvolveu uma plataforma em que são combinados dados de satélite e inteligência artificial (IA) para a monitorização de riscos em infraestruturas. A ideia é que, aliando os dados de satélite vindos de várias fontes à IA, seja possível fazer manutenção preditiva, antes de haver um problema, e também auditorias remotas. Uma das mais-valias identificadas pela empresa está ligada à possibilidade de monitorizar infraestruturas ao longo de “milhares de quilómetros, sem necessidade de inspeções físicas ou sensores no terreno”.

A tecnologia da Spotlite é usada por empresas como EDP, E-redes, REN e Brisa. Permite acompanhar à distância infraestruturas como estradas, pontes, viadutos, barragens, equipamentos de s ou de produção de energia renovável, entre outros.

A plataforma da empresa de Coimbra permite aos gestores de infraestruturas receber informação automatizada e também alertas para a necessidade de uma possível intervenção. A ideia é que seja possível acautelar “ocorrências, como movimentos de terreno, intrusão de vegetação ou riscos de incêndio” antes de acontecerem.

Em comunicado, a startup explica que o montante garantido nesta ronda terá como destino “acelerar a expansão internacional” e também “reforçar as capacidades” da plataforma. O Observador questionou a empresa sobre a expansão, que revelou que está “atualmente a operar com clientes em vários mercados na Europa, Estados Unidos e América do Sul, incluindo Colômbia e Brasil”. “Com o novo investimento, vamos acelerar a nossa presença comercial nestas regiões e expandir para novos mercados estratégicos, incluindo a América do Norte e outras geografias com grandes redes de infraestrutura crítica”, é acrescentado. A empresa afirma que o plano de expansão em curso “será executado de forma faseada ao longo dos próximos 12 a 18 meses”.

“Este investimento é um marco para a Spotlite e para o ecossistema espacial português em crescimento”, diz Ricardo Cabral, CEO da empresa, citado em comunicado. “Estamos a ajudar os operadores de infraestruturas a passarem de uma manutenção reativa para uma abordagem proativa, capacitando as empresas com decisões baseadas em dados e potenciadas por IA.”

Já Stephan Morais, gestor da Indico Capital Partners, refere que “a tecnologia deep tech da Spotlite, que transforma dados de satélite e IA em gestão preditiva e maior resiliência para ativos críticos, é uma revolução para o setor de infraestruturas”. O gestor afirma que o investimento confirma o “compromisso com a área de investimentos em tecnologia espacial, um dos focos do VCIII”, referindo-se ao fundo recentemente anunciado pela capital de risco para investimentos em startups de IA, deep tech e tecnologia espacial. “Tendo sido os primeiros investidores na Spotlite, ficamos felizes por ver a empresa alcançar mais esta etapa”.

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“A Spotlite está a desenvolver uma das plataformas de monitorização com inteligência artificial mais sofisticadas do setor, trazendo verdadeira inteligência preditiva para infraestruturas críticas”, completa Pedro Correia de Barros, responsável da Explorer Investments.