Cerca de 56 mil dos maiores multimilionários, que representam 0,001% da população mundial, controlam mais de três vezes a riqueza de metade da humanidade, revelou o World Inequality Report 2026, um relatório que considera dados reunidos por 200 instituições de pesquisa mundiais. O estudo revela também que 10% da população recebe perto de três quartos de todo o rendimento mundial, enquanto os 50% mais pobres têm vencimentos combinados de menos de 2% do total.
O mesmo relatório aponta ainda que os mais ricos contribuem “desproporcionalmente pouco” para as finanças públicas — enquanto os impostos têm subido para a maioria da população, estão em queda para os multimilionários e bilionários. “Isto não apenas prejudica a justiça tributária, mas priva as sociedades de recursos necessários para a educação, os sistemas de saúde e ações contra as alterações climáticas”, dizem Jayati Ghosh e Joseph E. Stiglitz, economistas da Comissão Independente para a Reforma da Taxação Corporativa Internacional, que assinam o prefácio do estudo.
O relatório divide a população em três partes, sendo os 10% mais ricos, os 40% considerados classe média e os 50% mais pobres. De acordo com os dados, a fatia mais rica recebe 53% dos rendimentos mundiais, enquanto a classe média representa 38% dos vencimentos e a metade mais pobre da população tem direito a apenas 8% dos salários pagos no mundo. Já quando o assunto é património, a diferença é ainda maior. Os mais ricos detêm 75% da riqueza mundial, a classe média 23% e os 50% mais pobres têm apenas 2% do total.
▲ O gráfico divulgado pelo World Inequality Report 2026, que mostra as desigualdades nos rendimentos e no património entre as camadas da população mundial
World Inequality Report 2026
A desigualdade evoluiu desde 1995 — se metade da população mais pobre ainda detém entre 1 e 2% de toda a riqueza pessoal do mundo, há 30 anos os 0,001% mais ricos tinham 3,8%, um valor que aumentou para mais de 6,1% em 2025. Os dados também revelam a desigualdade nas taxas de crescimento dos super ricos e da metade mais pobre: os 60 indivíduos mais ricos do mundo têm a sua riqueza aumentada em 8% por ano, enquanto 50% da população cresce entre 2% e 4% por ano.
Em Portugal, 50% da população mais pobre detém entre 1% e 3,8% da riqueza do país, uma taxa equiparável a alguns dos países mais populosos do mundo como os EUA, o Brasil, a Rússia, mas também países europeus como a Alemanha ou a Itália. Já os 40% que representam a classe média têm um património entre 35,7% e 37% do total do país, enquanto entre 60,8% e 63,1% de toda a riqueza pessoal de Portugal fica com 1% da população mais rica, uma taxa similar ao Canadá mas ainda superior a outros países europeus, como Espanha, França, Itália e Alemanha.
▲ O mapa do World Inequality Report 2026 revela que 1% da população portuguesa detém entre 23,9% e 25,7% de toda a riqueza do país
World Inequality Report 2026
De acordo com os últimos dados publicados pela Forbes, Elon Musk, dono da Tesla e da SpaceX, é a pessoa mais rica do mundo, com uma fortuna avaliada em 421 mil milhões de euros, seguido de Lary Ellison, dono da Oracle, com 235 mil milhões de euros, Larry Page, com um património de 223 mil milhões de euros, e Sergey Brin, com 206 mil milhões — ambos da Google –, e Jeff Bezos, dono da Amazon e de um património avaliado em 205 mil milhões de euros.