Uma primeira vantagem anulada com um golo a pouco menos de meia hora do final, uma segunda vantagem anulada com um golo quase em cima do minuto 90, uma terceira vantagem no segundo minuto de descontos por Rakel Engesvik que acabou por sentenciar de vez a vitória. O Benfica não tem registado a época mais fácil dos últimos anos, tendo em conta também as lesões graves que afastaram figuras como Ana Borges, Andreia Norton ou Diana Silva, mas o último jogo na Liga frente ao rival Sp. Braga mostrou que não falta capacidade de resiliência no grupo comandado por Ivan Baptista, também ele num ano de estreia depois da era Filipa Patão. Ainda assim, há montanhas e montanhas para escalar – e agora chegava a mais alta de todas.

Uma expulsão que tornou impossível o que já estava muito difícil: Benfica volta a perder na Liga dos Campeões

O novo formato da Liga dos Campeões feminina tornou a prova mais competitiva, com mais encontros entre as principais equipas mas também mais “pesada” para os conjuntos que não integram as principais ligas. O caso do Benfica foi um exemplo paradigmático disso mesmo, perdendo a oportunidade de integrar um grupo a discutir uma passagem à fase seguinte com o segundo classificado. Assim, e com quatro rondas disputadas, as encarnadas somavam apenas um ponto no empate na Luz frente ao Twente entre as três derrotas com Juventus, Arsenal e Paris FC, conjuntos que lutam pelo top 12. Seguia-se o maior favorito de todos aos quatro primeiros lugares que dão acesso direto aos quartos, o Barcelona da internacional Kika Nazareth, que tinha a oportunidade de se isolar na frente apesar do último empate diante do Chelsea.

“Os jogos têm todos pelo menos 90 minutos, por isso há que encarar o jogo dessa forma, manter a nossa organização desde o início e tentarmos ir gerindo os momentos do jogo, a impaciência que poderá causar ao Barcelona não conseguir marcar cedo, crescendo também no jogo com essa situação. Vamos ter os nossos momentos, estou convicto disso. Neste tipo de encontros onde se enfrenta um maior favoritismo da parte da equipa adversária, precisamos de ter níveis de eficácia muito altos. Vamos precisar de fazer, talvez, uma das nossas melhores exibições e esperar também que o Barça não esteja nos seus melhores dias. O mais importante é ter uma estabilidade mental e emocional muito grande e não deixar que essa ansiedade se apodere das jogadoras. Acredito que isso não vá acontecer”, apontara o técnico Ivan Baptista.

“A preparação é sempre ligeiramente diferente, porque é uma equipa que nos vai expor a momentos a que não estamos tão habituados nas competições internas e isso carece aqui de uma preparação um pouco diferente, ainda que muito limitada no tempo. Também é uma pena todas as jogadoras que estão lesionadas de parte a parte. Estamos a falar, se calhar, de quase 15 jogadoras, juntando as do Barcelona e as do Benfica, que não estão disponíveis para este jogo e não podem dar o seu contributo. Acho que o jogo seria muito mais bonito se todas elas estivessem disponíveis”, acrescentara, recordando também o desgaste nesta fase da competição com maior densidade do calendário. No entanto, havia algo incontornável: a matemática. E, depois da última derrota em Paris, o Benfica estava obrigado a fazer história para sonhar ainda com um apuramento para o playoff de acesso aos quartos, sendo que até o empate podia ser curto para isso.

Bastaram apenas 90 segundos para perceber que o milagre tinha perna curta. Ao longo da primeira parte ainda houve uma ocasião flagrante em que Anna Gasper, após passar por Cata Coll, atirou às malhas laterais da baliza das catalãs (38′), mas o encontro teve sentido único e com Lena Pauels a ser determinante para ir mantendo o resultado sem golos com várias intervenções a remates de Alexia Putellas (2′), Graham Hansen (10′) ou Claudia Pina (16′). Assim, o 1-0 chegaria apenas com quase meia hora de jogo, com um passe errado de Beatriz Cameirão em zona proibida a permitir a assistência de Putellas para o remate cruzado de Ewa Pajor (29′). Apesar de todo o domínio, essa vantagem mínima iria perdurar até ao descanso, entre três bolas na trave por Claudia Pina (16′ e 45+1′) e Hansen (45+2′), a última com um desvio da guarda-redes. Em 19 remates da formação blaugrana, houve apenas um golo que “premiava” a resistência das águias.

Ainda assim, e contra todas as expetativas, o Benfica ficou muito perto de dar a volta em cinco minutos, com Chandra Davidson a conseguir empatar com um desvio na área após insistência de Anna Gasper (46′) e Lúcia Alves a aproveitar uma desconcentração da defesa contrária para ficar isolada em frente a Cata Coll com o remate a sair muito perto do poste (49′). As águias perdiam a oportunidade de uma reviravolta que ficaria sempre para a história, as águias não conseguiram depois suster a reação das espanholas, que chegaram ao 2-1 num lance infeliz em que Ucheibe, a melhor jogadora de campo das campeãs nacionais, desviou para a sua própria baliza (54′) e aumentaram para 3-1 pela central Laia Aleixandri num remate após insistência na área (58′). Até ao final, Lena Pauels, a melhor em campo, ainda travou uma grande penalidade de Alexia Putellas mas o Benfica não teve fôlego para arriscar algo mais, perdendo e saindo da Champions.