“Inexpressiva”. Foi deste modo que o ministro da Presidência, depois do Conselho de Ministros, descreveu a greve geral desta quinta-feira, a primeira em 12 anos convocada em conjunto pela CGTP e UGT. As declarações vão em sentido oposto às das centrais sindicais, que têm garantido ao longo da manhã que a forte adesão à greve é prova de que os portugueses estão contra as alterações propostas pelo Governo à lei laboral. “A grande maioria dos portugueses está a trabalhar”, contrapôs António Leitão Amaro.
“Nos setores privado e social o reporte que existe é de adesões à greve entre 0% e 10%. Esta greve está a ter, como disse, uma adesão inexpressiva”, disse aos jornalistas.
O ministro começou por dizer que o Governo respeita quem exerce o direito à greve e que mantém a abertura ao diálogo com todos os setores. De seguida explicou que, segundo os dados disponíveis, “a esmagadora maioria dos trabalhadores do país está a trabalhar”.
“O país está a trabalhar. Esta parece mais uma greve da função pública, uma greve parcial em alguns setores da função pública“, afirmou. O governante disse ainda que a greve está a ter impacto nos setores dos transportes e das escolas e que isso acaba por ter impacto noutras áreas. “Mas repito: o nível de adesão no conjunto do país à greve geral é inexpressivo, em particular no setor privado e no setor social”, reiterou.
“Convido as pessoas que nos ouvem, que olhem à volta, vejam a sua vida. Teremos provavelmente mais pessoas que se não conseguiram trabalhar foi porque houve perturbações nos transportes mais do que por razão de greve”, acrescentou.
Leitão Amaro disse que há dois indicadores que atestam o impacto “minoritário” da greve. Por um lado, as transações na SIBS, que, segundo o ministro, estão apenas com uma redução de 7% em relação ao período normal. Por outro lado, o trânsito da ponte, que “está a cair 5%”. “Quem faz greve é uma minoria”, repetiu. “Temos um mandato e temos de ouvir a maioria. Queremos continuar a conseguir, em diálogo, aprovar as medidas de que o país precisa”.
As declarações são contrárias à da CGTP. O secretário-geral garantiu esta manhã que a dimensão da greve é relevante, notando que na maior parte da administração pública está a ter “um impacto fortíssimo”. Sublinhou que no privado a dimensão também existe, com uma “resposta dos trabalhadores ao ataque em curso ao mundo do trabalho”. Se alguém precisava ou tinha dúvidas sobre o sentimento dos trabalhadores está dada a resposta na adesão a esta greve”.
“O Governo colocou-se numa trincheira em qualquer tipo de discussão do pacote laboral. A partir do momento em que o Governo diz que as traves mestras não iria mexer ficou bem patente a dimensão do ataque que estava em curso”, defendeu Tiago Oliveira, reforçando que os trabalhadores “estão a dar resposta”.