À chegada havia “expectativas elevadas” e à saída da reunião de uma hora e meia com a ministra do Trabalho e Segurança Social, Mário Mourão, secretário-geral da UGT disse sair “otimista porque o Governo mostrou total disponibilidade para negociar” todo o conteúdo do pacote laboral após a greve geral de 11 de dezembro. Maria do Rosário Palma Ramalho apelidou a reunião de “muito construtiva”, deixando o recado para que as duas partes se encontrem a “meio caminho” no processo negocial para o qual não há ainda desfecho à vista.
Prazo para o final das negociações também não há, pelo menos para já. “A UGT pediu tempo e o Governo também não nos pressionou e esteve sensível em relação às questões que estão em cima da mesa”, afirmou Mário Mourão.
Os “próximos passos” ficaram definidos, com a central sindical e o Governo a apontarem para 14 de janeiro, data da próxima reunião da Comissão Permanente de Concertação Social (CPCS), para o próximo encontro certo entre as duas partes, não ficando excluídas reuniões bilaterais que podem surgir “a todo o momento”, como referido pelo secretário-geral da UGT.
“Hoje não tratámos do conteúdo dos vários aspetos das normas que estão previstas ali [no anteprojeto da reforma laboral], definimos uma metodologia de negociação”, referiu a ministra do Trabalho, acrescentando que até 14 de janeiro a UGT vai “apresentar propostas mais concretas”. O Governo espera ainda que os “outros parceiros também o façam”.
“A atitude do Governo é a mesma do primeiro dia e não foi ele que suspendeu o processo de negociação”, defendeu Rosário Palma Ramalho no final da reunião com a UGT, sem adiantar qualquer ponto concreto do anteprojeto para a reforma da lei laboral que tenha sido discutido esta tarde.
“O Governo manteve sempre total disponibilidade e apresentou uma solução para construção normativa e, portanto, mantém, como tinha antes, disponibilidade para construir as soluções”, referiu também, garantindo que a vontade de negociar “é igual desde o primeiro dia” do lado do ministério.
Do lado da UGT, Mário Mourão assumiu que e preciso “partir pedra” e “pedra dura”, não tendo assumido qualquer tipo de cedência. “Vamos apresentar todas as propostas, mesmo que as que o Governo considera serem traves mestras“, garantiu.
UGT diz que depois da greve geral é tempo de “pôr os pés no chão” e “assumir o compromisso para dialogar e negociar”
“Reiniciámos o trabalho depois de interromper o processo e de uma jornada de luta. Fomos à rua, os trabalhadores corresponderam e reiniciámos a negociação”, afirmou o dirigente sindical, recusando sempre revelar se algum ponto em concreto do pacote laboral foi discutido no encontro desta terça-feira com a ministra. “Não vou negociar aqui à frente das televisões, a negociação é nos gabinetes“, reforçou, garantindo que o que destaca do encontro é o regresso da “confiança que é preciso para uma negociação”.
Questionado sobre se o Governo mantém as traves mestras de que não abdicaria, o secretário-geral da UGT nunca respondeu diretamente, mas referiu a “total disponibilidade do Governo para a negociação”. “Há vontade de desbloquear a negociação”, garantiu.
“Uma greve geral e da dimensão daquela que aconteceu a 11 de dezembro tem sempre efeitos. Os trabalhadores vieram à rua e manifestaram-se contra este anteprojeto”, referiu também o secretário-geral da UGT, que diz ser agora tempo de “pôr os pés no chão” e “assumir o compromisso para dialogar e negociar para que nenhuma das partes se sinta defraudada”.
A negociação será feita artigo a artigo do anteprojeto e Mário Mourão afirma mesmo que “até matérias que nem sequer estão na proposta” podem vir a integrar as conversações com o Governo. Destacou ainda a importância de falar com os sindicatos dos diversos setores que integram a UGT, sendo que diferentes alterações propostas no anteprojeto afetam diferentes áreas.
O dirigente sindical chamou também à mesa das negociações as confederações patronais que entende terem-se “esquivado” de falar sobre pacote laboral. “Eu sei que eles estão confortáveis com o anteprojeto, mas preciso de ouvir porque também fui desafiado pelo presidente da CIP para que as centrais sindicais se sentassem à mesa com eles”, apontou.
Questionado sobre se está em cima da mesa uma nova greve geral, o secretário-geral da UGT disse que “em negociações não há nada que esteja excluído”. “Vamos reiniciar uma negociação que foi interrompida porque foi preciso ir à rua ouvir os trabalhadores. O não dos trabalhadores foi claro e estamos aqui novamente para construir uma proposta para que possa haver consenso entre as partes”, acrescentou.