A TAP vai ser privatizada sem o handling (Menzies) e sem a empresa de catering, Cateringpor, confirmou esta sexta-feira o ministro das Infraestruturas. Miguel Pinto Luz sinaliza que estas operações serão vendidas, em linha com o que está previsto no plano de reestruturação negociado com a Comissão Europeia.
Mas o ministro admitiu também que já não será possível cumprir o prazo acordado no plano para a alienação destas empresas, que era o final de 2025, sinalizando que não existem neste momento negociações com potenciais compradores.
Há quase um ano, a TAP comprou as participações na atual Menzies (SPdH) e na Cateringpor à antiga TAP SGPS, que entretanto entrou em insolvência, mas esses ativos não vão ser incluídos no perímetro a privatizar, ao contrário da empresa de saúde do grupo, a UCS, e da Portugália.
O ministro das Infraestruturas revelou ainda que o encaixe com a venda destes ativos não será para a TAP, mas ficará para o Estado. Também um eventual retorno financeiro dos ativos imobiliários da companhia aérea no aeroporto Humberto Delgado ficará para o Estado.
A TAP pagou 12 milhões de euros pela participação de 51% na Cateringpor, que tem como acionista minoritária a Gate Gourmet. A TAP mantém uma posição minoritária na empresa de handling que passou a designar-se Menzies e que se encontra em risco de perder a licença para assistência em escala no aeroporto de Lisboa depois de ter ficado atrás de um outro concorrente no concurso lançado este ano.
As declarações do ministro das Infraestruturas foram feitas no Entroncamento nas oficinas da CP, onde foi apresentada a primeira das 22 novas locomotivas entregues à operadora ferroviária.
Na mesma ocasião, Miguel Pinto Luz deu conta de que ficou concluída a primeira fase de privatização da TAP depois de terem sido validadas as manifestações de interesse dos três grupos concorrentes — Air France-KLM, IAG e Lufthansa — que cumprem os requisitos para participarem no processo.
Ofertas não vinculativas para a TAP no final do primeiro trimestre
No início do próximo ano serão dirigidos convites aos três grupos para realizarem as primeiras ofertas, ainda não vinculativas, para a compra de 44,9% da TAP. O prazo para estas ofertas termina a 2 de abril.
Estas propostas terão já uma componente financeira, incluindo o preço oferecido pelas ações, bem como mecanismos adicionais de valorização, como ‘earn outs’, que preveem pagamentos futuros dependentes do desempenho da empresa, e dividendos.
Os interessados deverão ainda indicar a perspetiva de valorização futura da participação remanescente do Estado na TAP e eventuais formas alternativas de pagamento, como trocas de ações. Serão ainda apresentadas propostas técnicas não vinculativas, com um plano industrial e estratégico para a TAP, uma visão preliminar sobre sinergias e benefícios para a companhia e garantias de preservação do estatuto de operador aéreo da União Europeia.
Entre os critérios de avaliação referidos estão a valorização financeira da TAP, a experiência técnica, a sustentabilidade financeira, o desenvolvimento de áreas estratégicas mantendo a marca e a sede, a salvaguarda de ligações aéreas, a assunção de riscos regulatórios, os direitos e a valorização dos trabalhadores e a visão para a segunda fase da privatização.