Donald Trump deu mais um passo na ideia de anexar a Gronelândia, tendo decidido nomear o governador do estado do Louisiana, Jeff Landry, como enviado especial dos EUA àquele território dinamarquês.
No seu anúncio, citado pela Associated Press, Trump argumenta que Jeff Landry “compreende o quão essencial a Gronelândia é para a Segurança Nacional” e vai dar um “forte avanço aos interesses” dos EUA para a “segurança, sobrevivência dos nossos aliados e, de resto, do mundo”.
Na rede social X, Landry agradeceu ao Presidente e disse ser “uma honra” servir nesta “posição voluntária para tornar a Gronelândia parte dos EUA“. “Isto não afeta de forma alguma a minha posição como governador da Louisiana!”, garantiu ainda.
Thank you @realDonaldTrump! It’s an honor to serve you in this volunteer position to make Greenland a part of the U.S. This in no way affects my position as Governor of Louisiana!
— Governor Jeff Landry (@LAGovJeffLandry) December 22, 2025
“Não se pode anexar outros países”, dizem os governos da Dinamarca e Gronelândia
Em resposta ao último avanço norte-americano, a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, e o primeiro-ministro da Gronelândia, uniram-se num comunicado conjunto a avisar que “não se pode anexar outros países“.
“Já o afirmámos muito claramente anteriormente. Agora, repetimo-lo. As fronteiras nacionais e a soberania dos Estados têm origem no direito internacional”, lê-se ainda, com os líderes a realçarem que se tratam de “princípios fundamentais“.
“A Gronelândia pertence aos gronelandeses e os EUA não devem tomar posse da Gronelândia“, sublinharam ainda.
A localização estratégica da Gronelândia tem levado Trump a ameaçar anexar o território e a Dinamarca a responder, colocando uma patrulha noturna a monitorizar os movimentos dos EUA e produzir um relatório diário sobre os mesmos.
Em julho, o embaixador russo na Dinamarca, Vladimir Barbin, garantia que nesse caso seriam tomadas “medidas militares e técnicas” e que Moscovo responderia “apropriadamente” a ameaças ao seu território.
Este ano, o The New York Times noticiou que Trump estará mesmo a ponderar distribuir dez mil dólares (oito mil euros) por ano a cada habitante da ilha para os mobilizar para a sua causa. Em março, Trump garantia ao Congresso norte-americano que era muito importante assumir o controlo da ilha: “Precisamos da Gronelândia para a segurança nacional e até para a segurança internacional, e estamos a trabalhar com todos os envolvidos para tentar que isso aconteça”, disse, citado pela Lusa, enquanto o Governo local sublinhou que a ilha não está à venda nem quer ser americana.
Já o vice-presidente dos EUA, JD Vance, visitou em março a base espacial americana aí localizada com a sua mulher, Usha Vance, mas o facto de não ter um convite oficial das autoridades locais fez com que a sua viagem se limitasse apenas a esse enclave.
A Gronelândia foi uma colónia dinamarquesa até 1953, altura em que foi redefinida como distrito da Dinamarca, e tem cerca de 56 mil habitantes que vivem nos 20% do território que não estão cobertos por gelo ou neve.
Notícia atualizada às 16h46 com reação da Dinamarca e afirmações do nomeado