O passar do tempo pode ter feito com que a ideia parecesse arrumada na gaveta, mas os planos vão mesmo avançar. Nove meses depois de ter sido anunciado que a NBA e a Federação Internacional de Basquetebol (FIBA) estavam a trabalhar em conjunto para a criação de uma nova liga profissional na Europa, surgem agora mais pormenores sobre a competição que promete agitar o status quo europeu da modalidade. 

De acordo com o El País, NBA e FIBA vão aproveitar os dois jogos da temporada regular norte-americana que estão agendados para Berlim e Londres no próximo mês de janeiro para reunir com as equipas interessadas em ocupar as vagas permanentes. De recordar que, logo em março e na conferência de imprensa conjunta que anunciou todos estes planos, os dois organismos delinearam desde logo a estrutura da competição: 16 participantes, com 12 vagas permanentes e outras quatro através de uma qualificação ainda por definir, mas que será através da Champions League ou de um torneio classificatório no fim da temporada.

16 equipas, 40 minutos e tentativas de atrair City e PSG: NBA está mesmo a explorar a criação de uma liga na Europa

Se é certo que NBA e FIBA ainda vão reunir com as equipas potencialmente interessadas nos lugares permanentes, também já existem pistas sobre que equipas poderão ser: Real Madrid, Barcelona, Valencia e Olympiacos estarão praticamente garantidos na nova competição, sendo que as cidadas-chave para os dois organismos são Londres, Manchester, Paris, Lyon, Madrid, Barcelona, Roma, Milão, Munique, Berlim, Atenas e Istambul. Adicionalmente, o plano também envolve atrair clubes sem expressão no basquetebol, mas que sejam marcas globais com potencial comercial para explorar, como o PSG e o Manchester City.

“Esta liga vai incluir equipas que já existem, novas equipas e equipas de futebol que queiram investir no basquetebol”, explicou Mark Tatum, o número 2 da NBA que é o verdadeiro líder do projeto, em entrevista ao El País. De acordo com o norte-americano, o plano é duplicar o número de vagas permanentes no espaço de sete a dez anos, olhando principalmente para a Europa de Leste e para Israel. Já com a aprovação financeira da JP Morgan e do Raine Group, NBA e FIBA querem arrancar com a nova competição em 2027 — e não estão propriamente preocupados com a concorrência da Euroliga.

De recordar que, em 2000, a Euroliga criou uma fissura com a FIBA ao abandonar a então Taça dos Campeões Europeus para fundar a homónima Euroliga e depois a EuroCup, as duas principais competições europeias da atualidade. A fundação de uma nova competição em parceria com a NBA irá portanto retirar as principais equipas da Euroliga, deixando o basquetebol europeu em rota de colisão absoluta — um bocadinho à semelhança do que poderia ter acontecido no futebol se a Superliga Europeia tivesse avançado em cisão com a UEFA e a Liga dos Campeões.

“Se pudermos dar as mãos, fantástico. Se não, que compitamos”, atirou Jorge Garbajosa, presidente da FIBA Europa, numa entrevista recente, numa declaração que teve resposta por parte da Euroliga. “Ainda que digam que estamos a conversar, a verdade é que não existem muitos progressos porque eles estão simplesmente a seguir os planos que têm. Da nossa parte, esse não é o caminho correto”, disse Paulius Motiejunas, diretor-geral do organismo.

Para além de alinhar o calendário europeu dos clubes com o das seleções, algo que não tem acontecido nos últimos anos e que impede os melhores jogadores de representarem os respetivos países, o novo projeto prevê também apoio financeiro ao desenvolvimento do basquetebol no continente: incluindo as ligas domésticas, as academias dos clubes e os programas para a formação de jogadores, treinadores e árbitros. Algo que acaba por ser natural numa temporada em que a NBA tem um recorde de jogadores internacionais, 135, e os seus principais talentos surgiram precisamente na Europa, como Nikola Jokic, Giannis Antetokounmpo e Luka Doncic.

“O formato da liga respeita os princípios do modelo desportivo europeu ao oferecer a qualquer clube ambicioso uma via justa de chegar à elite. O projeto está concebido para melhorar a sustentabilidade de todo o ecossistema — jogadores, clubes, ligas e federações nacionais — ao gerar um efeito em cadeia que vai beneficiar de forma significativa os adeptos”, explicou Andreas Zagklis, secretário-geral da FIBA, no mais recente comunicado do organismo, recordando que os jogos terão 40 minutos como acontece na Europa e não 48 minutos como nos EUA.