Não foi uma manhã como as outras em Gelsenkirchen, na Alemanha. À porta de uma agência bancária, cerca de vinte pessoas tentavam desesperadamente entrar nas instalações. Eram algumas das vítimas de um aparatoso assalto: mais de três mil cofres tinham sido esvaziados na noite de 28 para 29 de dezembro mas eles só souberam nesta segunda-feira quando a polícia deu a notícia na sua página oficial no Facebook. As autoridades não os deixaram entrar, e por isso, só conseguiram ver o buraco por onde os assaltantes entraram na sala onde estavam depositadas as suas poupanças, ouro e joias, na fotografia que a polícia divulgou.
“Aproveitando-se da tranquilidade do período natalício”, os ladrões terão aberto um buraco com um “berbequim de grande porte” na sala da Sparkasse onde estavam os 3.200 cofres, descreve a polícia em comunicado. Esta dependência da conhecida entidade bancária alemã funcionava sobretudo como caixa de poupanças, uma espécie de grande caixa forte, que guardava valores dos clientes.
As autoridades de Gelsenkirchen falam em perdas na ordem das dezenas de milhões de euros — o jornal local Kölner Stadt-Anzeiger, citando-as, refere cerca de 30 milhões de euros. Aliás, uma testemunha relatou que, na noite anterior, de 27 para 28 de dezembro, viu vários homens a carregarem sacos grandes nas escadas do parque de estacionamento, adiantou a polícia no seu comunicado à imprensa.
Nessa noite, “pelas 3h58 da manhã”, um alarme de incêndio disparou no edifício do banco mas a polícia e os bombeiros, que lá chegaram por volta das 6h, não se aperceberam de qualquer problema. Só no dia seguinte descobriram o buraco.
Segundo as autoridades, o assaltantes partiram do parque de estacionamento, conseguiram entrar nas instalações, passaram por várias portas até chegar à sala de arquivos, através da qual, fazendo um grande buraco na parede, entraram na caixa-forte. Depois de se apoderarem do conteúdo dos cofres fugiram, já na segunda-feira de madrugada num Audi RS 6 preto, como a polícia pôde ver nas imagens da videovigilância que mostram também alguns encapuzados dentro do carro. A matrícula não foi de grande auxílio para a investigação: tinha sido furtada em Hannover.
As investigações decorrem enquanto o banco continua fechado e as vítimas são aconselhadas a recorrer ao seguro. Problema: de acordo com o Kölner Stadt-Anzeiger, o valor coberto por cofre seria de 10.300 euros. Ora, segundo a DW, muitas das vítimas contaram à polícia que o que tinham nos cofres excedia, em muito, o montante assegurado em caso de perda.
Esse poderá ser o caso de muitos outros clientes, que protestavam à porta do banco. Uma jovem disse ao jornal Westdeutsche Allgemeine Zeitung que tinha “um grande cofre com 100 mil euros em dinheiro e ouro”, mas que não estava abrangido pelo seguro. O desespero era tanto que muitas das vítimas tentaram entrar no banco à força, reporta o Kölner Stadt-Anzeiger. O mesmo jornal relata que alguma pessoas conseguiram mesmo chegar ao hall, ultrapassando a segurança, antes de a polícia isolar a entrada da agência bancária. De nada serviu. A polícia, que pede pistas à população no seu comunicado, remeteu os clientes para casa. O banco continua fechado e não se sabe ao certo se reabrirá este ano, acrescenta o jornal local.
Texto editado por Dulce Neto