Vitória, vitória, vitória, uma, duas, dez, 17 vezes. Depois de uma época aquém das expetativas, que terminou sem qualquer título nacional e europeu como era desejado no início da era Edu Castro na Luz, o Benfica teve uma entrada fulgurante na atual temporada, somando por triunfos todos os encontros que ia fazendo entre as várias competições como Campeonato, Liga dos Campeões, Taça de Portugal e Elite Cup. Este domingo, jogando em casa, a série chegou ao fim – e, nesse dérbi que acabou empatado com várias oportunidades nos derradeiros minutos, até foi o Sporting a estar por duas vezes na frente. Quatro dias depois, chegava uma espécie de tira-teimas entre rivais no Pavilhão João Rocha, com a liderança do grupo B da Champions em jogo numa fase em que os encarnados partiam com dois pontos a mais do que os leões em três partidas.

Xano quis ser herói, mas no melhor pano cai a nódoa: Benfica e Sporting empatam no primeiro de dois dérbis em quatro dias

“As expetativas são altas e queremos a vitória, Saímos do último jogo com um sabor amargo porque estivemos sempre à frente do marcador. O Benfica é uma equipa muito completa também, conhecemos as suas armas, mas temos as nossas e estamos muito confiantes. Ainda falta muito na Champions mas é um jogo que pode dar algo mais para a frente. Nestes jogos, quem comete menos erros é quem acaba por levar a vitória. Temos a nossa estratégia, na qual confiamos e jogar em casa é sempre uma vantagem”, tinha referido Danilo Rampulla, internacional argentino que marcou na Luz, na antevisão da partida numa época que começou com o Sporting a conquistar o Mundial de Clubes na Argentina e a Supertaça nacional.

“Sendo o mesmo rival, sendo as mesmas duas equipas, os jogos sempre são diferentes, não só por ser fora de portas mas também pelo facto de termos conhecimento do que aconteceu dois ou três dias antes. Também a competição é diferente, o formato. O mais importante na Champions atual é assegurar os pontos em casa e o Sporting sabe-o bem. É possível que seja um jogo mais aberto mas, depois, os pormenores de quem se adianta no marcador, de como se chega ao intervalo, são mais significativos do que o planeamento inicial. A parte mental é fundamental. Fulcral, é a palavra. É importantíssimo ter todos os jogadores focados no objetivo, nos pormenores de cada jogada, de cada fase, seja na recuperação, seja na fase de posse da bola”, apontara Edu Castro, técnico espanhol do Benfica que cumpre a segunda temporada nos encarnados.

Apesar das dezenas e dezenas de dérbis ao longo dos anos nas mais variadas competições, esta era apenas a quinta vez em que Sporting e Benfica se cruzavam numa partida a contar para a Champions, com os triunfos repartidos na fase de grupos de 2023/24 com vitória da equipa visitada depois dos triunfos (um nos penáltis) dos leões nas meias-finais da prova em 2019 e 2021. Agora, os encarnados conseguiram ir ganhar ao Pavilhão João Rocha de forma clara, reforçando a liderança do grupo B da Liga dos Campeões com 12 pontos em quatro jogos contra sete dos leões, que partilham agora a segunda posição com o Liceo.

O encontro voltou a começar melhor para o Sporting, que numa transição que mostrou como o hóquei pode ser o jogo mais simples chegou à vantagem no marcador: Romero acelerou para fazer o 3×2, Rampulla fez o passe para o poste contrário e Rafa Bessa só teve de encostar para o 1-0 (4′). Zé Miranda, num penálti, teve a oportunidade de empatar logo de seguida mas seria numa jogada individual a partir da tabela atrás da baliza que chegaria o primeiro golo do Benfica, com Roberto Di Benedetto a aproveitar uma distração de Xano Edo para colocar a bola junto ao poste (10′). Estava dado o mote para a reviravolta dos encarnados, que estavam melhor na partida e que aproveitariam um lance em que os jogadores leoninos ficaram a pedir uma falta sobre Nolito para fazerem o 2-1 num remate rasteiro de Diogo Rafael após uma saída rápida (12′).

Edo Bosch só parou o encontro quando já estava em desvantagem mas essa pausa acabou por “acalmar” esse melhor momento dos visitantes no dérbi. Problema? Uma das grandes armas para o atual registo da equipa encarnada esta época é a capacidade que tem para controlar todos os momentos do jogo quando chega a essa zona de conforto: pode defender mais alto ou mais baixo, pode ter ataques mais ou menos rápidos, sabe que tem sempre uma vantagem extra nas transições e no aproveitamento dos erros contrários, algo que sentenciou o 3-1 que se registava ao intervalo com Lucas Órdoñez a não perdoar na área depois de uma bola perdida por Alessandro Verona pouco à frente da tabela. O Benfica era melhor, estava melhor e ganhava.

A segunda parte teve menos momentos de interesse, entre grandes exibições dos guarda-redes que foram evitando mais golos no dérbi. Em vantagem, os encarnados foram aproveitando para quebrarem o ritmo sem perderem o foco na baliza contrária, ao passo que os leões abusavam das meias distâncias em busca daquele momento que permitisse reentrar na partida também pela falta de “banco” que as ausências nas opções de Edo Bosch provocavam (Henrique Magalhães, Navarro e Bridge). Mais uma vez, na melhor fase verde e branca, foi o Benfica que voltou a marcar, com Zé Miranda a assistir Gonçalo Pinto para o 4-1 (41′). O vencedor do encontro estava definido, apesar de Rafa Bessa ter desperdiçado um penálti que podia reacender o interesse nos últimos minutos (45′) antes da expulsão de Edu Castro a 15 segundos do final.