Aparentemente, é um problema de janeiro. Há um ano que o Benfica não registava duas derrotas consecutivas, desde que a equipa que ainda era de Bruno Lage perdeu com o Barcelona e o Casa Pia. Um ano depois, a equipa que agora é de José Mourinho perdeu com o Sp. Braga e o FC Porto e igualou um registo que ninguém quer.

Certo é que, com a derrota desta quarta-feira no Dragão, o Benfica continua com a Supertaça Cândido de Oliveira, contra o Sporting, como a única vitória contra rivais diretos na atual temporada: empatou com o FC Porto para o Campeonato, empatou na Luz com os leões e perdeu agora com os dragões na Taça de Portugal, num lote onde ainda se pode juntar o empate da Liga e a derrota da Taça da Liga com o Sp. Braga.

“Há sempre objetivos para atingir. Desistir, nunca”. Mourinho não se rende entre elogios à exibição: “Controlámos o jogo a bel-prazer”

Com a eliminação na Taça de Portugal e também nas meias-finais na Taça da Liga, os encarnados estão agora reduzidos ao Campeonato, onde estão a dez pontos da liderança do FC Porto, e à Liga dos Campeões, onde ainda não têm assegurada a passagem ao playoff de acesso aos oitavos de final. Ou seja, ainda a meio de janeiro, o Benfica parece não ter um objetivo palpável — e as atenções viram-se como que automaticamente para a próxima época.

Depois do apito final no Dragão, António Silva foi um dos representantes encarnados na zona de entrevistas rápidas. “Vínhamos com a ambição de ganhar. Fomos a equipa mais forte em campo. Sofremos um golo de bola parada. Fomos uma grande equipa. Carregámos. Jogámos no meio-campo defensivo do FC Porto. Criámos as nossas oportunidades. Ficou uma grande demonstração da nossa equipa. Somos uma equipa muito forte, em qualidade individual. Tem faltado agressividade nos duelos e sermos mais pressionantes. Hoje conseguimos isso. Fisicamente apresentámo-nos muito bem. Fica a mágoa de não passarmos. Conseguimos criar, que a bola chegasse aos corredores laterais. Criámos muitas oportunidades, até com ligações por dentro. Faltou-nos um bocadinho de sorte”, começou por dizer o central.

“Nada merecido. Se havia alguém que merecia passar éramos nós. Não há vitórias morais, principalmente no Benfica. É um objetivo perdido. Prefiro perder assim do que como perdemos em Braga. A equipa mostrou uma grande atitude. Fizemos um grande jogo. É futebol. Esta equipa ainda tem muito para dar esta época. Vamos lutar pelos objetivos. Enquanto for possível vamos lutar, sabemos que os adeptos vão estar connosco. Temos menos dez pontos no campeonato, mas o passado diz-nos que é possível. Vamos correr atrás disso. O passado diz-nos que é possível. Já houve equipas com muitos pontos de desvantagem e conseguiram ser campeãs. O mister dá-nos muita confiança. É algo mútuo entre nós. É folclore das redes sociais e dos jornalistas. Estamos sempre juntos”, acrescentou o internacional português.

Também depois do jogo, o Benfica emitiu um comunicado onde se queixa do tratamento a que os adeptos encarnados foram submetidos no Estádio do Dragão, garantindo que vai fazer uma queixa formal junto da Federação Portuguesa de Futebol. “O Sport Lisboa e Benfica vai apresentar uma queixa formal à Federação Portuguesa de Futebol, na sequência do tratamento vergonhoso a que foram sujeitos os seus adeptos no acesso ao Estádio do Dragão”, começa por referir a nota.

“Os adeptos do Benfica foram obrigados a descalçar-se sobre um chão molhado, num procedimento que não se encontra previsto em qualquer regulamento e que teve como único propósito a humilhação dos benfiquistas, entre os quais se encontravam várias pessoas de idade avançada. Em consequência destes atrasos deliberados, muitos adeptos só conseguiram aceder aos seus lugares já com a segunda parte em curso. Trata-se de um comportamento absolutamente inaceitável por parte dos responsáveis de segurança do Futebol Clube do Porto, que, infelizmente, se tem tornado prática reiterada sempre que o Sport Lisboa e Benfica disputa jogos neste estádio”, termina o comunicado.