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Daniel e uma braçadeira que representa várias bóias (a crónica do Sporting-Casa Pia)

Este artigo tem mais de 6 meses

Geny regressou, Geny bisou. Daniel Bragança voltou, Daniel Bragança voltou. Casa Pia foi competitivo mas o que fica é um Sporting a mostrar como cresce à medida que vai recuperando jogadores (3-0).

Daniel Bragança regressou à equipa A (já tinha jogado 30 minutos pela equipa B), foi recebido com uma ovação de pé e marcou último golo do Sporting frente ao Casa Pia
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▲Daniel Bragança regressou à equipa A (já tinha jogado 30 minutos pela equipa B), foi recebido com uma ovação de pé e marcou último golo do Sporting frente ao Casa Pia

Carlos Rodrigues

▲Daniel Bragança regressou à equipa A (já tinha jogado 30 minutos pela equipa B), foi recebido com uma ovação de pé e marcou último golo do Sporting frente ao Casa Pia

Carlos Rodrigues

Um, dois, três, cinco, dez dias sem competição e sem compromissos das seleções. Não era propriamente um cenário pensado por Rui Borges na projeção da temporada mas o afastamento do Sporting na Taça da Liga com dois golos do V. Guimarães nos descontos acabou por dar uma “folga” extra no denso calendário que a equipa enfrenta em janeiro. Um dos objetivos da presente época caiu, outros objetivos se levantaram – e foi nesse sentido que os leões trabalharam, tendo em vista não só o arranque da segunda volta do Campeonato mas também a receção ao campeão europeu PSG na Liga dos Campeões na próxima terça-feira. Quer isso dizer que foi tudo bom dentro do “mau”? Não, nem por isso. E, além do embate anímico que a derrota com os minhotos acabou por causar, o técnico da formação verde e branca ganhou mais uma “preocupação”.

Sporting-Casa Pia. Leões procuram regresso às vitórias após dois jogos sem ganhar (na Liga e na Taça da Liga)

“A semana foi muito boa, apesar de não conseguimos estar presentes numa final. Em parte porque tiveram algum descanso, era mesmo necessário. A intensidade e a entrega foram espetaculares. Fiquei feliz pela resposta da equipa, sentir os treinos mais normais e a competitividade do treino deixa-me mais feliz, precisava de sentir isso. Não pela derrota mas por tudo o que estava a acontecer. Pela primeira vez estava um bocado abatido por termos tanta gente de fora. O grupo faz com que metamos um sorriso e continuemos a acreditar. A equipa deu uma resposta fantástica, acredito que dará também com o Casa Pia”, prometera na antevisão da partida onde, quando as perguntas apontavam para as recuperações físicas de Pedro Gonçalves, Ioannidis, Debast ou Ricardo Mangas, acabou por anunciar mais uma baixa nas opções por questões físicas.

“O Diomande está aleijado, está fora do jogo. Já disse ao doutor que estou dormente, já me podem picar à vontade… Veio da seleção lesionado. Pedro Gonçalves e Ioannidis? Estão os dois fora para já, o Pote está no processo final, não sei dizer se estará ponto para o PSG. Já o Fotis é muito o dia a dia para perceber quando poderá estar disponível… O Geny veio bem da CAN, graças a Deus, está para o jogo. O Diomande, lá está, não controlo… Não sei o tempo de paragem. Já nem penso nisso, só penso na malta que tenho. O Dani [Bragança] é diferente, teve uma paragem longa e está nesse processo de adquirir minutos para ir crescendo. Esta semana foi importante. Está a 100%, fico feliz por poder contar com ele, é importante para a equipa, acrescenta muita qualidade nas nossas dinâmicas”, resumiu, entre essa “janela” de novidades que colocava a possibilidade de Zeno Debast e Ricardo Mangas já terem minutos (ainda que controlados).

Era assim, com sete lesionados (Diomande, Eduardo Quaresma, Nuno Santos, Blopa, Pedro Gonçalves, Quenda e Ioannidis) e mais dois castigados (Hjulmand e Maxi Araújo) que chegava a receção ao Casa Pia, equipa à procura de pontos para fugir aos últimos lugares e que estreava Álvaro Pacheco como treinador na sequência de mais uma derrota para o Campeonato com o Rio Ave. “Torna mais difícil na parte estratégica, por mais que vamos ao passado é sempre difícil dizer de que forma se vai apresentar nessa parte. Podemos focar-nos em pequenas coisas, numa equipa muito intensa e com bons jogadores em contra-ataque. Vamos ter de resolver isso dentro das nossas dinâmicas e continuarmos a dar seguimento ao que tem sido o nosso crescimento”, destacara sobre as dificuldades extra que os leões poderiam ter de volta a Alvalade.

O contexto era conhecido, o objetivo para a segunda volta também: melhorar em relação ao rendimento das 17 jornadas iniciais, onde o Sporting somou 13 vitórias e apenas perdeu pontos com as equipas do top 5: FC Porto, Benfica, Gil Vicente e Sp. Braga: “Se fosse para a parte estatística estávamos a fazer uma boa época, o FC Porto está a fazer uma época fora do normal. Estamos dentro de uma boa época mas não chega. Não chega para sermos novamente campeões, não vai chegar o que fizemos nos últimos dois anos. Fizemos 42 pontos, temos de fazer mais na segunda volta porque não chegou para estarmos em primeiro. Temos de ter isso bem cientes, o nosso objetivo será fazer melhor e temos de o fazer. Vamos lutar ao máximo por esses dois objetivos do Campeonato e da Taça de Portugal, fazendo o melhor possível na Liga dos Campeões”.

Luis Guilherme era a primeira de duas caras novas para consolidar essa ideia (Souleymane Faye, senegalês do Granada que será o novo ala do plantel verde e branco, deveria ter chegado no início da semana mas já era esperado esta noite em Alvalade), tendo nesta partida a primeira possibilidade real de assumir um lugar nas opções iniciais depois de alguns minutos diante do V. Guimarães. Antes do jogo, sobravam elogios. “É um miúdo inteligente, pode dar soluções em várias zonas. Gosta de jogar mais à direita mas dá-nos solução à esquerda e por dentro. Tem uma qualidade técnica muito boa, um perfil de crescimento enorme. Acho que vai ser um jogador importante no Sporting”, dissera Rui Borges. Depois, acabou por ser uma exibição discreta, típica de quem procura ainda ganhar rotinas. No entanto, é mais uma opção. Como Geny Catamo, que regressou da CAN e bisou. Como Daniel Bragança, que voltou após longa lesão e fez um golo. Como Mangas. Como Debast, que também ia marcando. Aquela braçadeira que Inácio foi a correr dar ao médio significa bem mais do que isso e mostra as várias bóias que o Sporting vai ganhando para ir crescendo.

Ficha de jogo

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Sporting-Casa Pia, 3-0

18.ª jornada da Primeira Liga

Estádio José Alvalade, em Lisboa

Árbitro: David Rafael Silva (AF Porto)

Sporting: Rui Silva; Fresneda, Matheus Reis (Debast, 82′), Gonçalo Inácio, Vagiannidis (Ricardo Mangas, 65′); Morita, João Simões (Kochorashvili, 82′); Geny Catamo (Alisson, 82′), Trincão, Luís Guilherme (Daniel Bragança, 65′) e Luis Suárez

Suplentes não utilizados: João Virgínia, David Moreira, Flávio Gonçalves e Rafael Nel

Treinador: Rui Borges

Casa Pia: Patrick Sequeira; João Goulart, José Fonte (Khaly, 37′), Sousa; Larrazabal, Renato Nhaga (Rafael Brito, 84′), Seba Pérez, Abdu Conté; Nsona (Tiago Morais, 46′), Livolant (Xander Severina, 68′) e Cassiano (Clau Mendes, 68′)

Suplentes não utilizados: Ricardo Batista, Dailon Livramento, Kevin Machado e Iyad Mohamed

Treinador: Álvaro Pacheco

Golos: Geny Catamo (38′ e 43′) e Daniel Bragança (78′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a José Fonte (12′) e David Sousa (86′); cartão vermelho direto a Clau Mendes (89′)

O brasileiro não era a única novidade entre as opções verde e brancas, com Rui Borges a preferir colocar Iván Fresneda na esquerda deixando Vagiannidis na sua posição natural no flanco oposto, Morita a fazer quase todos os movimentos que ficam habitualmente a cargo de Hjulmand e Luis Guilherme a aparecer à esquerda, numa posição que não é frequente mas que também por cumprir. Pode nem ter sido pelas mudanças mas o arranque de jogo foi atípico, lento, previsível, sem oportunidades e com o Casa Pia a deixar boa impressão na estreia de Álvaro Pacheco, sem medo de definir zonas de pressão mais altas e com vontade de levar jogo até ao último terço dos leões. Livolant, com um remate que foi prensado em Fresneda antes de sair para canto, teve a primeira tentativa do jogo sem perigo (10′), antes de um livre de Luis Suárez por cima (14′). A tal falta de intensidade que Rui Borges falava depois dos dez dias de paragem estava mesmo confirmada…

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do Sporting-Casa Pia em vídeo]

Aos poucos, o Sporting crescia. Bastou haver maior velocidade na posse e circulação dos leões para o Casa Pia deixar de ter tantas hipóteses de sair, ficando sobretudo atento aos movimentos que Geny Catamo e Trincão iam procurando. Nesta fase, faltava sobretudo pontaria aos leões: João Simões arriscou de meia distância em posição central mas a bola passou por cima (17′), Luis Suárez teve uma segunda bola com remate de primeira sem preparação à entrada da área que foi ainda mais longe do alvo (18′) e o mesmo Suárez voltou a bater um livre direto bem mais perto da linha descaído sobre a esquerda que saiu ainda mais torto (21′). O colombiano não estava propriamente nos seus dias, Fresneda tentou ser diferente mas imitou o companheiro: boa jogada coletiva dos leões com variação de Matheus Reis para a direita, cruzamento de Geny Catamo mais puxado ao segundo poste e boa entrada do lateral para dentro falhando o desvio de cabeça na área (27′).

Álvaro Pacheco tinha pedido uma equipa a defender bem sem ser defensiva e era isso que o Casa Pia tentava mostrar, tendo mais uma saída com Larrazabal a ligar a mota pela direita que terminou com um remate de Nhaga a bater num defesa contrário e a sair para canto após uma escorregadela de Morita (31′). Mais uma vez, valeu o sentido prático do Sporting para chegar ao golo – primeiro a ameaçar, depois a não perdoar. Luis Guilherme teve uma chance flagrante para coroar da melhor forma a estreia em Alvalade mas desviou ao lado sozinho na área por chegar ligeiramente atrasado a um cruzamento de Luis Suárez (34′), Geny Catamo fez bem melhor com alguma sorte à mistura e, após receber um passe de Trincão para a direita, contou com um desvio de David Sousa na sequência de uma diagonal com remate que enganou Sequeira (38′). O que tinha acontecido antes? José Fonte, lesionado, teve de dar lugar a Khaly. Por alguns minutos, o Casa Pia procurava referências e foi nesse período que Geny Catamo bisou depois de um passe fantástico nas costas da defesa dos gansos de Gonçalo Inácio que deixou o moçambicano isolado após uma grande receção (43′).

Álvaro Pacheco voltou a mexer ao intervalo, trocando o ala esquerdo no ataque para a entrada de Tiago Morais na vaga de Nsona, mas continuava a ser da direita que saíam os melhores lances do Casa Pia, neste caso com Livolant a aproveitar uma jogada que começou num passe errado de Gonçalo Inácio para arriscar a meia distância que saiu por cima (46′). Logo no minuto seguinte, Luis Guilherme ganhou pela primeira vez a linha, fez o cruzamento tenso na zona entre guarda-redes e centrais, Sequeira só conseguiu afastar para a frente e Francisco Trincão, quase por instinto, não conseguiu enquadrar a segunda bola para a baliza quando estava sozinho (47′). Sem ser brilhante, o Sporting parecia querer resolver em definitivo a questão mas não conseguiu manter esse ímpeto, permitindo que o Casa Pia conseguisse períodos com mais bola e entrada no último terço mesmo faltando eficácia no último passe antes do primeiro remate enquadrado para defesa de Rui Silva de Tiago Morais após jogada com Cassiano (60′). Bragança e Mangas iam a jogo.

A forma como Alvalade se levantou para bater palmas ao médio depois de quase um ano de ausência por lesão era quase um reforço de oxigénio para todos incluindo os restantes jogadores, cientes da importância de ter todos os elementos aptos para colocar a máquina verde e branca a carburar como pode (e deve) – até a forma como Gonçalo Inácio correu para ir dar a braçadeira a Bragança representou essa “bênção” a mais uma boa notícia. E, já depois de um golo anulado outra vez a Geny Catamo por fora de jogo quando desviou de cabeça um cruzamento de Ricardo Mangas da esquerda (68′), a espontaneidade de remate do médio depois de combinar com classe com Trincão motivou ainda mais os adeptos apesar da defesa de Sequeira (75′). O melhor estava para vir: na sequência de uma recuperação de bola de João Simões no corredor central, Luis Suárez fez a assistência e Bragança rematou de pé direito na área para o 3-0 (78′). A noite estava feita, apesar de ter havido ainda um golo anulado a Clau Mendes por fora de jogo (84′), um remate que passou muito perto do poste do também regressado Zeno Debast (86′) e um tiro nas malhas laterais de Alisson (87′).

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