As dificuldades eram conhecidas, o ambiente em Guimarães esteve ainda mais eletrizante do que é habitual, o objetivo continuava a ser o mesmo: de uma ou de outra forma, ganhar os três pontos. No final, foi isso que sobrou em mais uma noite de festa para o FC Porto, que somou o seu terceiro triunfo pela margem mínima consecutivo (dois no Campeonato, um na Taça de Portugal) para reforçar a liderança da Liga, mantendo os mesmos sete pontos de avanço em relação ao Sporting e mais dez em relação ao Benfica. Segredo? Fácil: os dragões podem marcar mais ou menos mas confiam no rendimento defensivo e tiram dividendos disso.

Oskar entrou para desenhar o que está escrito nas estrelas (a crónica do V. Guimarães-FC Porto)

Os azuis e brancos conseguiram igualar a melhor série de vitórias da época, com nove triunfos seguidos, e levam dez sucessos consecutivos no Campeonato desde o nulo na receção ao Benfica de José Mourinho. Em paralelo, os dragões alcançaram o quinto encontro sem sofrer golos, algo que não acontecia desde novembro de 2024 e há quase três anos olhando apenas para as partidas disputadas fora de casa. Com isso, somaram a 17.ª vitória em 18 jornadas do Campeonato, igualando o melhor registo de sempre do clube que data de 1939/40 e ficando apenas a mais um triunfo de mais um recorde interno que pode ser batido.

“Foi um jogo muito complicado, contra uma equipa que jogou muito bem. Houve momentos em que precisámos de sofrer, de ter paciência. Tivemos a capacidade de sofrer, criámos oportunidades, uma bola no poste, dois penáltis. O Diogo [Costa] também fez algumas defesas boas. Acho que temos de estar muitos felizes. Fizemos 30 pontos em dez jogos fora de casa e precisamos de agradecer o que estes rapazes estão a fazer. É um orgulho. Ninguém é super-herói, somos uma equipa de trabalhadores e estamos muito orgulhosos por representar a classe trabalhadora. Conseguimos jogar bem contra uma equipa muito forte”, salientou Francesco Farioli, treinador dos azuis e brancos, na zona de entrevistas rápidas da SportTV.

“Na primeira parte sofremos um pouco. Precisávamos de virar os duelos, das bolas perdidas, a nosso favor. Com bola estávamos a ter bons momentos. Tivemos algumas dificuldades em chegar para pressionar nos primeiros minutos mas a energia que o Vitória colocou nos primeiros minutos foi incrível. É uma equipa forte nos vários momentos. Tivemos dificuldades, mas lutámos e conseguimos aguentar o 0-0. Na segunda parte melhorámos um pouco e isso fez o resultado. Os três pontos significam muito. Se não estou enganado, é o 14.º jogo em que não sofremos golos. O Diogo ajudou muito, os jogadores defenderam com muita energia quando foi altura de ir fazer um corte, de bloquear um remate… O Alan veio ao banco pedir para bater o penálti e estou muito feliz por ele, teve muita personalidade”, acrescentou, antes de explicar ao detalhe o que se passou na escolha depois de William Gomes ter andado com a bola para bater.

“Na hierarquia o batedor era o William mas o Alan veio com esse feeling que precisávamos. É um jogador muito importante para nós. Nunca dá esse passo em frente quando não é o momento certo, mas hoje decidiu fazê-lo. Era muito peso para um jogador de 19 anos e ele tomou a responsabilidade. O William não se importou de lhe dar o penálti. Foi um gesto de equipa, que procura aquilo que é melhor. E o William foi o primeiro a ir celebrar com o Alan… Samu? Dizemos sempre o mesmo a toda a gente: os erros são parte do futebol e precisam de ficar no passado. Para ele é normal. É um rapaz grande mas tem 21 ou 22 anos… É normal sentir isso, sentiu o calor desse erro. Mas depois, melhorou muito. Acho que jogou bem melhor na segunda parte. Não podemos estar no topo todos os dias. Não há super-heróis aqui, somos um grupo que gosta de trabalhar. O Samu pediu-me desculpa no final do jogo e eu disse-lhe que não havia nada pelo qual pedir desculpa”, concluiu o treinador italiano em declarações ao canal de desporto.