A Força Aérea confirmou esta quarta-feira que o militar detido pela Polícia Judiciária (PJ) no âmbito da megaoperação Irmandade pertence a este ramo das Forças Armadas portugueses. A Força Aérea está “a acompanhar o evoluir do inquérito” para determinar a eventual abertura de um processo disciplinar ao militar apanhado pela investigação que tenta pôr fim à atividade do grupo neonazi 1143 liderado por Mário Machado a partir da prisão.
“Atualmente, a Força Aérea aguarda conhecimento concreto dos factos que permita, como é procedimento habitual, instaurar o competente processo disciplinar ao militar, sem prejuízo da colaboração com as autoridades judiciais”, lê-se na nota a que o Observador teve acesso.
Na terça-feira, quando a PJ deu a conhecer os resultados da operação através de um comunicado, sabia-se apenas o número de detidos e arguidos, 37 e 15, respetivamente. Depois, numa conferência de imprensa onde compareceu o Diretor Nacional da PJ, Luís Neves, e a Diretora da Unidade Nacional de Contraterrorismo (UNCT), Patrícia Silveira, foi revelado que havia dois “não civis” entre os detidos. Rapidamente se confirmou que um deles era um polícia e o outro militar.
Antes do esclarecimento agora prestado pela Força Aérea, ficou-se a saber, através de um comunicado da PSP, que o polícia pertencia ao Comando Distrital de Setúbal. “A PSP aguarda conhecimento concreto do sucedido, pelo que, assim que tivermos notícia sobre o(s) crime(s) de que o referido polícia é indiciado, (informação que neste momento ainda não possuímos), serão desenvolvidos os procedimentos disciplinares adequados e preventivos”, explicaram no comunicado. A polícia lembrou respeitar o “princípio da presunção da inocência”, mas, como “uma das instituições mais escrutinadas”, repudiou “qualquer conduta (…) que constitua uma violação flagrante” da legalidade.
“Mesmo sendo difícil a prevenção de todas as situações desviantes, internamente tudo faremos para as impedir e para garantir o respeito pelos direitos fundamentais, com compromisso, confiança e proximidade com todos os cidadãos”.