14 pontos, playoff de acesso aos oitavos de final da Liga Europa garantido, possibilidade de chegar diretamente à próxima fase. Ainda assim, o FC Porto sai da República Checa com tudo menos sensação de vitória — até porque não ganhou. Os dragões não foram além de um empate com o Viktoria Plzen, terminaram uma série de nove triunfos consecutivos e prolongaram a ideia de que parecem outra equipa na competição europeia em comparação com o que fazem no Campeonato.

Deniz, o filho pródigo que salvou uma famiglia que treme quando apanha aviões (a crónica do Viktoria Plzen-FC Porto)

Num jogo em que atuou a segunda parte inteira em superioridade numérica, o FC Porto só conseguiu marcar o golo do empate já à beira dos descontos e viu Samu falhar novamente uma grande penalidade — tal como tinha acontecido no fim de semana e contra o V. Guimarães, com o avançado espanhol a terminar a partida visivelmente irritado e triste apesar de a equipa não ter perdido. Certo é que, com apenas a última da jornada da fase de liga por cumprir e contra o Glasgow Rangers no Dragão, o FC Porto tem mesmo a possibilidade de chegar diretamente aos oitavos de final.

Depois do apito final, Francesco Farioli fez uma breve análise ao jogo. “Começámos muito bem, acho que nos primeiros cinco minutos tivemos três remates e dois pontapés de canto. Acho que a nossa abordagem foi top. Depois pagámos o preço. Eles tiveram dois remates na direção da baliza e não há muito a dizer. O nosso discernimento a atacar não foi tão claro como noutros jogos. Tentámos de tudo, acabámos com dois avançados, colocámos o Bednarek na frente… Não é o resultado que merecemos, mas acaba por ser um ponto importante que nos faz seguir em frente. O espírito e a reação de todos os jogadores continua a ser top”, atirou, antes de abordar pessoalmente a grande penalidade desperdiçada por Samu.

“Só para clarificar, se tivermos um penálti no próximo jogo será ele outra vez a bater”, começou por dizer. “O Samu é um grande jogador, mas é jovem. Quer ganhar tudo. Está sempre em competição, até mesmo nos treinos, quer ganhar sempre tudo. Quer ter sempre o melhor desempenho possível. No último jogo também não teve sorte no penálti, mas acontece. O próximo penálti que tivermos será ele novamente a bater”, acrescentou.

Mais à frente, o treinador italiano sublinhou a importância do ponto conquistado na República Checa. “É exatamente isso. Não sei se ouviu o que eu disse à equipa, mas a mensagem foi exatamente essa. Merecíamos ter um resultado diferente, mas o ponto é efetivamente muito importante. Na última temporada ficámos de fora do top 24, no Ajax, com um ponto num jogo como este, em Riga. Mas cabe-nos agora fazer o nosso trabalho no último jogo”, disse, aproveitando ainda para criticar o anti-jogo do Viktoria Plzen.

“Não quero criticar o adversário, mas há um problema quando permitimos a uma equipa gastar tanto tempo e acho que um comportamento destes é uma vergonha numa competição da UEFA. O tempo de compensação não compensou todos os minutos que se perderam, seja com substituições, com perdas de tempo… Acho que efetivamente merecíamos mais”, concluiu.

Já Diogo Costa não mediu as palavras para criticar a exibição do FC Porto. “Dá-me a impressão de que o jogo foi demasiado mau, dos últimos jogos para cá está a faltar-nos a diferença de uma equipa grande no último terço. A eficácia do passe e do remate está a faltar e temos de a trabalhar. Continuamos a acreditar e é o que tem de ser feito. Faltou paciência, jogámos com o coração e não com a cabeça. Era pior se jogássemos num ritmo devagar e não quiséssemos saber do jogo, não foi isso que aconteceu, apenas aconteceu falta de frieza. Valeu a atitude, acreditámos até ao fim e vamos continuar a acreditar”, vincou o guarda-redes português.