Capital mundial da música clássica e da ópera, Viena, na Áustria, anunciou o fecho de alguns dos museus mais emblemáticos da cidade até 2027. A Câmara de Viena aplicou cortes nos fundos alocados à cultura, com vista “à redução dos custos da cidade” estabelecidos nos objetivos orçamentais para a temporada de 2026/27. Entre os espaços afetados estão o apartamento onde morreu o compositor Franz Schubert, a residência de Johann Strauss e a casa de Joseph Haydn.
O fecho de museus resulta de uma política de austeridade que também incide sobre os preços de transportes públicos, os quais podem aumentar até 30% em alguns casos, segundo o The Guardian. “É a realidade em que vivemos. Todos temos que economizar”, disse, citado pelo mesmo jornal, Matti Bunzl, diretor do Museu de Viena, que tutela a maioria dos lugares afetados.
O orçamento da cidade para a cultura, que caiu de 29,7 milhões de euros, em 2025, para 28,4 este ano, deve diminuir ainda mais em 2027. A France-Presse avançou que, segundo a diretora financeira do Museu de Viena, Christina Schwarz, os cortes são temporários e fazem parte de um esforço para equilibrar as contas públicas, pelo que devem chegar ao fim quando a situação estabilizar.”O objetivo [das medidas] é manter abertos os locais mais frequentados, principalmente pelos vienenses, embora com alguns ajustes cuidadosos”, diz o comunicado de imprensa.
Para além dos museus dedicados a figuras da música clássica, outros monumentos serão afetados, como o Prater Museum, a Villa Hermés ou a Igreja Otto Wagner, cujos horários de funcionamento serão reduzidos. Já o local de nascimento de Schubert fechou para obras, mas deve reabrir em 2028, quando se celebra o 200º aniversário da morte do compositor.
Os cortes foram criticados pelo partido de extrema-direita FPÖ (Partido da Liberdade da Áustria), uma vez que não afetaram o Wiener Festwochen, um festival de artes progressista e tendencialmente posicionado à esquerda.
*Texto editado por Cátia Andrea Costa