A audição era da ministra do Ambiente e Energia, mas as declarações recentes do ministro da Agricultura sobre o ICNF (Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas), tutelado por ambos, acabaram por dominar a tarde no parlamento. Confrontada pelo PS sobre o facto de poder haver “pressões” e “lobby” para que os serviços “aprovem projetos sobre os quais pode ter havido avaliações de impacte ambiental negativas”, Maria da Graça Carvalho insurgiu-se. “Falou em lobby e pressões, garanto que neste Governo nunca houve a mínima pressão de ninguém sobre as entidades ambientais”.
A primeira reação de Maria da Graça Carvalho às questões do PS sobre as declarações de José Manuel Fernandes foi remeter as dúvidas para a audição do próprio ministro no parlamento, que já foi requerida pelo PS. A pergunta inicial do PS era se a ministra subscrevia as declarações do ministro, que acusou nas suas redes sociais os dirigentes do ICNF responsáveis pela divulgação do conteúdo de um vídeo enviado aos técnicos do instituto de serem “mentirosos, covardes e radicais”.
A ministra do Ambiente afirmou não ter acompanhado nem ter visto as declarações em causa, causando incredulidade na bancada do PS, que questionou a ministra se, “perante o que foi dito, se não se demitem os dirigentes do ICNF, não resta demitir-se o ministro”, levantando ainda a hipótese de este ser um “caso de bullying público”.
Às questões dos socialistas, a ministra garantiu “nunca” ter sido abordada por “de ninguém” para exercer pressão sobre as entidades ambientais. “Todos os projetos, os que passam, os que não passam, são feitos sem a interferência do Governo. Nunca se aproximaram de mim para nenhuma interferência nestas questões. A evidência científica e ética são para mim as bases das decisões de política pública e não tem havido exceção a esta regra”, sublinhou.
A polémica teve início no final da semana passada, quando uma notícia do jornal Público dava conta de um vídeo enviado pelo ministro ao ICNF, no qual, segundo testemunhos ouvidos pelo jornal, era insinuado que o ICNF era “demasiado radical” e que se deveria mudar a lei se esta fosse um entrave à aprovação de projetos. O ministro divulgou o vídeo depois desta notícia, acusando alguns “(poucos)” dirigentes do ICNF de serem “mentirosos, cobardes e realmente radicais”. A apelando a que “se tivessem vergonha, até porque mentem, demitiam-se”.
O ministro enviou o vídeo por não ter podido estar presente no encontro, que aconteceu na última sexta-feira, e que, segundo a ministra do Ambiente, que esteve presente, foi “um momento simpático de convívio à hora de almoço entre dirigentes do ICNF e os membros da tutela que ali estavam”.
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