Ser o primeiro jogo da competição já comportava alguns níveis de ansiedade extra, o golo de Musumeci logo a abrir adensou esse estado de espírito, o intervalo chegou com um inesperado empate. Portugal era melhor do que a Itália mas o resultado não estava a sair. O último passe não entrava, a circulação emperrava quando não podia, os alas não conseguiam desequilibrar. Foi aí que, no arranque da segunda parte, apareceu Kutchy. Em menos de um minuto, o ala bisou e “soltou” a Seleção das suas próprias amarras até uma goleada como ainda não se tinha visto no Europeu. Primeiro objetivo concretizado, segunda meta à vista – e com uma “surpresa” à mistura, tendo em conta o que se passou no outro encontro da primeira jornada do grupo D.

Jorge mostrou que se pode voltar ao sítio onde já se foi feliz: Portugal bate Itália no início da caminhada rumo ao tricampeonato europeu

Apesar do favoritismo teórico da Polónia, a Hungria ganhou asas na segunda parte e foi protagonista de um dos resultados mais inesperados na Eslovénia, batendo os polacos por 4-2 e chegando ao confronto diante de Portugal empatada no topo da liderança com a Seleção. “Não estamos surpreendidos com a Hungria, tínhamos a clara noção do nível de organização deles. Sabem muito bem o que fazem em todos os momento do jogo. Juntaram a isso uma vontade competitiva e uma capacidade de ir gerindo o jogo, a ganhar ou a perder. Esperam pacientemente pela oportunidade. A Hungria fez isso muito bem no primeiro jogo e por isso conseguiu vencer”, resumiu Jorge Braz, selecionador nacional, na antecâmara da segunda ronda do grupo.

“A Hungria vai tentar contrariar-nos mas o mais importante é olharmos para nós e sermos nós em campo, estarmos focados no nosso processo e no que temos de fazer. Isso é decisivo. Se fizermos o nosso trabalho bem feito então do outro lado ainda devem estar mais preocupados. Todos os momentos negativos que possam acontecer nunca nos podem atrapalhar no nosso processo. É preciso ter sempre confiança em quem somos. Se há coisa que esta Seleção tem tido é a forma como sentimos o que fazemos. Os erros fazem parte e não nos deitam abaixo”, acrescentara o técnico, olhando também para aquele que foi o “filme” da estreia nacional frente ao conjunto transalpino, com uma prometedora goleada por 6-2 no sábado.

A vantagem teórica estava quase a 100% do lado português, até para um histórico que apontava para a série de nove triunfos consecutivos diante da formação magiar desde a qualificação para o Mundial de 2000, mas desde 2015 que não havia um duelo entre ambos oficial ou particular. Mais: ficando dependente daquilo que podia acontecer ainda no encontro entre Itália e Polónia que se realiza mais tarde, Portugal podia desde já carimbar a passagem aos quartos da competição, algo que só a Arménia tinha conseguido até ao momento apesar das situações privilegiadas de França ou Espanha na entrada para a terceira e última ronda.

E melhor entrada era impossível: com apenas 23 segundos de jogo, Erick surgiu da melhor forma na área após reposição lateral de Pany Varela na esquerda para tocar por cima do guarda-redes Alasztics para o 1-0. Com Bernardo Paçó de novo na baliza após ter sido pai na véspera e com André Coelho, Tiago Brito, Pany Varela e Erick, num quarteto com maior experiência na quadra que rodava depois com os mais jovens Afonso Jesus, Lúcio, Diogo Santos e Kutchy, Portugal dominava por completo o encontro, teve mais uma boa oportunidade para marcar numa “picadinha” de Lúcio que passou ao lado (4′) mas não demorou a aumentar a vantagem num grande lance de Diogo Santos, que recuperou a bola, ganhou outra dividida e assistiu Lúcio para o 2-0 (6′). Os magiares não existiam em termos ofensivos, com Jorge Braz a rodar todos os jogadores de campo para não perder intensidade e manter o foco na baliza, com Rúben Góis três vezes perto de marcar.

Quando a Hungria começava a encaixar no 3:1 com Góis, Braz voltava ao seu 4:0 com o universal Erick mais solto e voltavam os problemas para os magiares, que viram Tiago Brito falhar sozinho à entrada da área (11′). Sergio Mullor, técnico espanhol dos húngaros, colocava o primeiro desconto de tempo para pedir mais jogo no pivô e maior agressividade nas disputas de bola mas era a Seleção que mantinha o domínio do encontro, com Alasztics a travar um remate de Tomás Paçó (12′), um lance de 1×0 de Kutchy (13′) e outra tentativa de Lúcio (14′). A Hungria ainda arriscou uma situação de 5×4 para reduzir mas a única coisa que conseguiu foi “respirar” com bola, antes de mais tentativas do conjunto nacional que encontrou quase sempre no guarda-redes magiar um obstáculo difícil de superar apesar das tentativas de Bruno Coelho, Pauleta e Pany.

Depois do triunfo por 6-2 diante da Itália, naquela que foi a terceira maior vitória nacional em Europeus só superada pelos 8-1 ao Azerbaijão em 2018 e pelos 5-0 aos Países Baixos em 2014, Portugal conseguia criar ocasiões para dilatar ainda mais a vantagem para números que se tornassem recordes mas continuava a ter em Alasztics o principal adversário nesse objetivo. No entanto, o arranque da segunda parte trouxe esse “desbloquear” do jogo, com Diogo Santos a aproveitar um erro na saída dos magiares para fazer o 3-0 (22′) e Tomás Paçó a aumentar a vantagem para 4-0 pouco depois (25′). A passadeira para uma goleada das antigas estava estendida, com a Hungria a assumir de seguida o 5×4 com Rutai como guarda-redes avançado.

Fekete teve a melhor oportunidade dos húngaros pouco depois, acertando no poste após um passe errado de Pany Varela, mas o encontro estava de vez aberto com premissas diferentes que poderiam dar a oportunidade de trabalhar situações de defesa 5×4 que Portugal pode encontrar em fases mais adiantadas da competição. A 12 minutos do final, a diferença de 42-9 nos remates explicava muito do que se passava na Arena Stozice, numa fase em que Alasztics voltava a agigantar-se na baliza com duas grandes intervenções a travar remates de Pany Varela (com elevada nota artística, acrescente-se). Pany Varela faria mesmo o 5-0 numa saída rápida sem guarda-redes na baliza (34′) e Jorge Braz aproveitou para estrear Edu na baliza, que sofreu o 5-1 num bom remate de Rutai (36′) antes de uma “bomba” de Kutchy que bateu com estrondo na trave.

[Esta é a história de como dezenas de portuguesas se juntaram a mulheres de vários outros países e se tornaram seguidoras de uma seita controlada por um guru manipulador. Recrutadas numa escola de yoga em Lisboa, muitas acabaram em casas de massagens eróticas ou a serem filmadas em cenas de sexo e orgias. “Os segredos da seita do yoga” é o novo Podcast Plus, do Observador. Uma série em seis episódios, narrada pela atriz Daniela Ruah, com banda sonora original de Benjamim. Ouça o primeiro episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]