A final de Budapeste está cada vez mais. Mais de quatro meses depois do seu início, a fase de liga da Liga dos Campeões chegou ao fim esta quarta-feira, em mais uma épica oitava jornada com 18 jogos a decorrerem em simultâneo em toda a Europa. Ao longo dos últimos 134 dias, foram 36 as equipas que lutaram por um lugar na fase a eliminar da principal prova de clubes do planeta. Ainda assim, quatro já estavam eliminadas antes desta quarta-feira e 16 já tinham garantido o apuramento para a fase seguinte. Era nesta condição que entravam em campo PSG e Newcastle, embora o jogo do Parque dos Príncipes tivesse uma condição a nortear a situação das duas equipas: a vitória garantiria o top 8 e o consequente apuramento para os oitavos de final.

Este jogo marcou o reencontro entre as duas equipas mais de dois anos depois. Na altura, o primeiro jogo de sempre entre parisienses e magpies aconteceu em St. James Park e trouxe à tona o regresso do Newcastle à Liga dos Campeões mais de duas décadas. No final, os ingleses golearam os franceses (4-1) e esse acabou por ser o grande feito do clube nessa edição, que viria a terminar no último lugar do Grupo F. Por seu turno, o PSG chegou às meias-finais, caindo ante o Borussia Dortmund (1-0 nos dois jogos). No jogo de Paris, as duas equipas anularam-se (1-1). Agora, as duas equipas chegavam ao duelo entre ambas a viver uma situação muito similar, com os mesmos pontos (13) e a precisarem do mesmo resultado para chegarem aos oitavos de forma direta. Apesar de continuar em posição confortável na luta pelos seus objetivos, os rouge et bleu tinham somado duas derrotas nos seus últimos seis jogos, com destaque para o desaire em Alvalade (2-1). Na mesma toada estavam os magpies, que tinham duas vitórias, dois empates e duas derrotas nos últimos seis duelos, com dez golos marcados e sofridos.

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“Se ganharmos, podemos terminar em sexto, mas eu assinaria agora mesmo uma derrota ou um empate, desde que estivéssemos entre os quatro primeiros no final da competição. Se alguém me disser agora que vamos terminar em 15.º, mas depois vamos ganhar a Liga dos Campeões, aceito. O verdadeiro torneio começa depois, na fase a eliminar, e aí somos uma equipa incrível. Vamos prová-lo novamente. Derrota de 2023? Esqueci completamente aquela derrota. Lembro-me apenas do resultado. Isso foi há dois anos. Muitos jogadores chegaram, muitos saíram. Agora jogamos muito melhor. Amanhã [quarta-feira] será um jogo difícil, mas estamos confiantes. A chave é jogarmos como podemos, mostrar os nossos pontos fortes e talento. O encontro terá momentos diferentes, haverá lances de bola parada, mas também é muito importante o tipo de jogo que queremos fazer. Temos de procurar controlar as diferentes fases e, especialmente, a última parte do jogo. O resultado será a favor de uma das duas equipas e espero que não haja loucuras”, repercutiu Luis Enrique.

“As memórias deste estádio voltaram. Foi uma boa noite para nós e um grande teste para o nosso desenvolvimento como equipa naquela altura. Aguentámos firmes e defendemos a nossa vantagem durante muito tempo. Fiquei muito orgulhoso do desempenho em geral. Temos que tentar aproveitar cada momento, pois são muito preciosos. Queremos aproveitar e viver todos os altos e baixos que isso traz. Estamos todos determinados em dar o nosso melhor. Amanhã será um grande jogo para nós. Queremos vencer. Estamos preparados para isso. Quanto maior o jogo, mais difícil o desafio, mais precisas de estar à altura. Este será um jogo muito bom para tentar responder a algumas dúvidas e ser eficaz em todos os ambientes em que jogamos. Vamos preparar a equipa para isso e precisamos que eles joguem ao máximo. O Joe[linton] não vai jogar. Fez um exame, não achamos que seja uma lesão grave, mas acreditamos que vai ficar de fora algumas semanas. Vai falhar alguns jogos”, explicou Eddie Howe na antevisão ao jogo.

Para este jogo, Enrique voltou a contar com Achraf Hakimi, que não jogava desde novembro por conta da sua presença no Campeonato Africano das Nações (CAN). Por outro lado, Marquinhos e Willian Pacho, que falharam a última jornada do Campeonato francês, regressaram ao onze, à semelhança de Ousmane Dembélé, que foi suplente utilizado. Nuno Mendes regressou ao lado esquerdo da defesa, ao passo que Vitinha e João Neves, que voltou de lesão muscular, comandaram o meio-campo, com Gonçalo Ramos no banco de suplentes. Sem Bruno Guimarães (suplente) e Joelinton no miolo, Howe optou por lançar Sandro Tonali e Jacob Ramsey no meio-campo, com Nick Woltemade como referência ofensiva.

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Com Dro Fernández a assistir ao jogo, a sua nova equipa entrou com tudo e, logo nos instante iniciais, um erro de Lewis Miley, que cortou a bola com o braço, deu a Dembélé a hipótese de faturar de penálti, mas Nick Pope voou para travar o remate do melhor jogador do mundo (4′). Pouco depois, o avançado abriu na direita em Khvicha Kvaratskhelia num lance de transição rápida, o georgiano conduziu e, à entrada da área, colocou a bola no corredor central, com Vitinha a aparecer para desferir um grande remate, colocado, de fora da área, para o golo inaugural (8′). Logo a seguir, Warren Zaïre-Emery serviu Dembélé que, dentro da área, permitiu nova defesa a Pope (11′). A meio da primeira parte, Luis Enrique sofreu a primeira contrariedade, com Kvaratskhelia a lesionar-se e a ter de ser rendido por Désiré Doué (23′).

Com a vantagem precoce, o PSG assumiu o controlo do jogo e pouco perigo criou, conseguindo afastar o Newcastle da sua baliza. Já no tempo de compensação da primeira parte, os magpies cobraram um livre a meio-campo diretamente para a área, Marquinhos falhou o corte e, de cabeça, Dan Burn colocou ao meio em Willock, que só teve de desviar para empatar a partida (45+2′). Desta forma, voltou tudo à “estaca zero” na etapa complementar. Os ingleses mantiveram o ímpeto no arranque da segunda parte e, na primeira ocasião, Woltemade colocou em Ramsey que, dentro da área, atirou para defesa a dois tempos de Matvey Safonov (51′). Já depois de Willock ter tido um golo anulado por fora de jogo (67′), Harvey Barnes, Anthony Gordon e Gonçalo Ramos saltaram para o terreno de jogo e, já na parte final, Gordon desferiu um remate forte, de fora da área, para defesa incompleta de Safonov (73′).

Yoane Wissa foi a alteração seguinte de Eddie Howe, sendo que o Newcastle continuou a pressionar o PSG e à procura do golo. Seguiu-se a entrada de Senny Mayulu (87′) e, logo a seguir, Gordon desequilibrou na área e deixou para Barnes que, de forma inacreditável, acertou no poste quando estava isolado (87′). O empate acabou por prevalecer e, desta forma, as duas equipas vão ter de disputar o playoff de acesso aos oitavos de final (1-1).