Com dezenas de quilómetros com árvores caídas no chão, foram várias as estradas no território nacional que ficaram cortadas devido aos estragos provocados pela depressão Kristin, que atingiu o território continental de Portugal na madrugada desta quarta-feira e fez, até ao momento, seis mortes. No ponto de situação desta tarde, a Proteção Civil dava conta de 24 estradas e autoestradas ainda condicionadas, depois de uma manhã de trabalhos nas vias e relatos das dificuldades sentidas pelos condutores.
Ao Observador, uma testemunha relatou o cenário vivido logo de manhã desta quarta-feira na autoestrada 1 (A1), sentido norte-sul, com a estrada cheia de árvores caídas, o que levou a que demorasse perto de seis horas a fazer a viagem desde o Porto até Lisboa. Para facilitar a passagem dos carros, as equipas da Brisa Concessão Rodoviária estavam a cortar apenas a parte final das árvores, libertando assim uma via. Pelas 7h53, a A1 foi cortada ao quilómetro 94 no sentido sul-norte junto à saída para Fátima, no distrito de Santarém, para limpeza de detritos provocados pelo mau tempo. Além da A1, pelas 08h, o trânsito também estava cortado no nó de entrada da A23, que liga Torres Novas à Guarda.
Nas redes sociais, começaram também a surgir vídeos dos estragos na A1, com imagens da estrada entre a saída para Monte Real e a saída para Pataias que mostram, para além da queda de árvores, um camião tombado numa das vias. Ao Observador, a Brisa confirmou o incidente com o camião ligeiro que tombou no sublanço que se mantém cortado (A1 – Pombal – Leiria), no quilómetro 131 norte-sul, ocupando a via esquerda, mas que já foi retirado.
@nunomoliveira09 ⚠️⚠️⚠️ A1 Sentido Norte/Sul #tempestade #kristin #temporal #fyp #portugal ♬ som original - Nuno Oliveira
Às 14h00, a GNR e a Brisa avançavam que a A1 continuava cortada em vários pontos e condicionada entre os nós de Torres Novas (Santarém) e Pombal (Leiria), principalmente no sentido sul-norte, e que a circulação estava a decorrer “com dificuldades e corte de via entre o nó de Torres Novas e Pombal”, afetando “ambos os sentidos” para a realização de “trabalhos de limpeza da via”. A mesma fonte acrescentou ter indicação de que a via “está cortada”, apesar de “períodos em que deram movimento às viaturas”, mas houve necessidade de voltar a suspender a circulação. Ao Observador, a Brisa adiantou ainda que, pelas 18h00, o único corte que se mantém é no sentido Norte-Sul, entre Pombal e Leiria, e que o sentido Sul-Norte em Fátima já foi aberto. “Portanto, sentido Sul-Norte já está totalmente aberta, a circular”, acrescenta.
“Houve um período no dia em que o trânsito teve mesmo a ser desviado pela A23, por indicação da GNR. Houve necessidade sim de ter ao longo do dia, durante algum tempo, um dos sentidos fechado mesmo, sentido sul-norte, mas depois sentido norte-sul mantivemos aberto”, explica ainda, dando conta do transito condicionado ao longo do dia cuja circulação foi sendo feita por algumas vias, que foram abrindo e fechando, para poder promover os trabalhos de limpeza. “Foi assim que foi feito para garantir que tínhamos uma via transitável. Houve momentos ao longo do dia que naquela região a A8 estava pior, as alternativas e algumas estradas nacionais estavam piores e, portanto, o fecho não era viável. E impacto grande na mobilidade.”
Quanto à média do tempo que os condutores percorreram aquela estrada, a Brisa reconhece que “é natural que alguns percursos tenham demorado mais do que seria expectável” face ao trabalhos de complexidade feitos na via para remover as “centenas de árvores derrubadas para a plena via”. “Tenho conhecimento de alguns autocarros que demoraram mais tempo do que seria previsível porque fizeram, inclusivamente, desvios para a A8, mas isso nós não controlamos”, acrescentam.
A Brisa prevê ainda que entre as 18h30 e as 19h00 o corte já tenha sido levantado e que os serviços de limpeza, de remoção de destroços e de substituição de painéis de sinalização que caíram estejam concluídos até ao anoitecer.
Na A8 a manhã também não foi fácil, com o Observador a testemunhar árvores caídas na estrada no sentido norte-sul a partir da zona de Óbidos e três a quatro carros de equipas a fazerem a limpeza dos destroços. À chegada a Leiria a situação piorava na Estrada Nacional 109 com postos de eletricidade e placas de sinalização tortas e telhas no chão. De Lisboa a Leira, a viagem feita pelo diretor técnico da Rádio Observador levou cerca de três horas e Nuno Serra Fernandes relatou a dificuldade que foi entrar na cidade, assim como a quantidade de árvores caídas nas estradas: “Não há 200, 300 metros de estrada sem uma árvore caída no chão, cabos caídos no chão, em que o trânsito não se tenha de fazer de forma alternada”.
Também nas redes sociais houve quem partilhasse o cenário vivido na A8, mostrando os estragos provocados pela depressão Kristin, também com árvores caídas, camiões tombados e cabos de eletricidade caídos. “Cenário de guerra”, lê-se na descrição.
@xicobyxico Cenário de guerra ????
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