O BPI fechou o ano de 2025 com resultados de 512 milhões de euros, menos 13% do que no ano anterior, segundo informação comunicada nesta segunda-feira em comunicado enviado à CMVM. O banco, detido a 100% pelos espanhóis do Caixabank, é o primeiro entre os maiores bancos a operar em Portugal a apresentar as contas do ano passado e dá conta de que, na atividade em Portugal, os lucros baixaram 4%.

O lucro consolidado do BPI baixou 13% para 512 milhões de euros, com a atividade principal, em Portugal, a “render” 489 milhões, menos 4% do que no período homólogo. O banco considera que foi uma “rentabilidade elevada apesar das taxas de juro mais baixas”. A margem financeira baixou, porém na análise trimestre a trimestre, está a verificar-se “alguma estabilização” neste indicador, que reflete, em termos simples, a diferença entre os juros que o banco paga para se financiar (depósitos, BCE, etc.) e os juros que cobra nos empréstimos que concede.

“A atividade em Portugal contribuiu com 489 milhões de euros para o resultado do Banco BPI, o que representa uma diminuição de 4% [em termos homólogos], justificada pela redução dos proveitos com juros decorrente do repricing do crédito com indexantes mais baixos”, diz o BPI em comunicado, acrescentando que “as participações no BFA [Angola] e BCI [Moçambique] tiveram um contributo total de 22 milhões de euros”.

Na atividade em Portugal, o BPI registou um crescimento homólogo de 7% no crédito e de 9% nos recursos de clientes. Todavia, o crescimento do volume de negócio não conseguiu compensar o impacto da descida das taxas de juro de mercado sobre a margem financeira, o que explica a redução homóloga de 8% do produto bancário”, explica o banco.

O produto bancário, uma métrica importante para avaliar o desempenho dos bancos, inclui efeitos não-recorrentes de valor próximo – por um lado, em 2024, tinha havido um ganho de 16 milhões em comissões (excluindo este one-off, as comissões diminuem 1%). Por outro lado, em 2025, houve a “reversão do custo com as contribuições do Adicional de Solidariedade sobre o Sector Bancário pagas em exercícios passados (18 milhões), na sequência dos acórdãos do Tribunal Constitucional, que declararam aquele imposto inconstitucional – com efeitos retroativos.

“Este exercício fica marcado por um crescimento consistente do volume de negócios do banco, apoiado pela dinâmica comercial e pelo enquadramento favorável da economia portuguesa”, afirmou João Pedro Oliveira e Costa, presidente da comissão executiva, assinalando que a tabela de comissões não foi aumentada nem no ano passado nem será em 2026 (nem ao valor da inflação).

“No plano comercial, o banco registou um crescimento expressivo na contratação de crédito à habitação (+35%), bem como no financiamento às PME (+10%), a par de uma evolução positiva na captação de poupanças, com destaque para os fundos de investimento e seguros de capitalização, que cresceram 18%”, acrescenta o responsável.

BPI ainda tem cinco balcões fechados na zona mais afetada pela tempestade

O BPI ainda tem cinco balcões na região mais afetada pela depressão Kristin que ainda não foi possível reabrir. João Pedro Oliveira e Costa, presidente da comissão executiva do banco, disse em conferência de imprensa que, seja por falta de comunicações ou energia, esses cinco balcões continuam encerrados.

Porém, João Pedro Oliveira e Costa saudou as medidas anunciadas pelo Governo para apoiar as famílias e empresas afetadas pela depressão Kristin, incluindo as moratórias nos créditos, considerando-as exequíveis no imediato, acrescentando que serão mais após um levantamento mais aprofundado dos danos.

“Numa primeira fase é importante, primeiro, ter medidas exequíveis — e o tema das moratórias é algo que as pessoas podem agarrar já, quer para a habitação, quer para as empresas”, disse João Pedro Oliveira e Costa, na apresentação dos resultados. “Poderá, eventualmente, ter de haver mais medidas. Eu estou completamente crente, depois de ter uma análise mais profunda”, acrescentou o banqueiro.

O presidente do BPI considerou que “houve um esforço” do Governo e assegurou que o setor financeiro “está envolvido”.

No caso das empresas, apontou que serão aplicadas moratórias de crédito a todas as empresas elegíveis, de acordo com os critérios definidos pelo Estado, a que se somam as linhas de garantia do Banco Português de Fomento (BPF), de 1.500 milhões de euros, e a isenção total de todas as comissões de contas-correntes até a um ano, “seguindo os mesmos critérios de elegibilidade”.

Já para as famílias, entre as medidas estão moratórias de 90 dias para crédito habitação – no caso de ser habitação própria ou permanente – e condições para crédito ao consumo à taxa fixa de 2,25%, “que, na prática, é com ‘spread’ zero”.

“A nossa grande prioridade é fazer chegar muito rapidamente essas ajudas às pessoas”, disse João Pedro Oliveira e Costa.