“A Liga Pro da Arábia Saudita assenta num princípio simples: cada clube opera de forma independente, seguindo as mesmas regras. Os clubes têm os seus próprios Conselhos de Administração, os seus próprios dirigentes e a sua própria direção desportiva. As decisões relativas à contratação, aos gastos e à estratégia são tomadas por esses clubes, dentro de um quadro financeiro criado para garantir a sustentabilidade e o equilíbrio competitivo. Este quadro aplica-se de forma igual a todo o Campeonato.
O Cristiano [Ronaldo] dedicou-se totalmente ao Al Nassr desde que chegou e desempenhou um papel fundamental no crescimento e na ambição do clube. Tal como qualquer competidor de elite, quer vencer. Mas nenhum indivíduo – por mais relevante que seja – decide para além do seu próprio clube. Um clube reforçou-se de determinada maneira. Outro optou por uma abordagem diferente. São decisões tomadas pelos clubes, dentro dos parâmetros financeiros aprovados.
A competitividade do Campeonato fala por si. Com apenas alguns pontos a separar os quatro primeiros, a luta pelo título está longe de estar decidida. Este nível de equilíbrio reflete um sistema que funciona como previsto. A atenção permanece centrada no futebol – dentro do relvado, onde deve estar – e na manutenção de uma competição credível e competitiva para os jogadores e para os adeptos.”
A ausência de Cristiano Ronaldo em protesto no jogo do Al Nassr frente ao Al Riyadh teve algum impacto mediático, o cenário de nova baixa na receção do conjunto de Riade ao campeão Al-Ittihad comandado por Sérgio Conceição aumentou os sinais de alarme junto da Liga saudita, que através de um porta-voz decidiu falar à BBC sobre o que se passava com o avançado português. A mensagem da organização era clara: nada nem ninguém está acima da competição ou do país. A mensagem do capitão da Seleção também: nada nem ninguém iria impedi-lo de lutar por aquilo que considerava ser justo ou, neste caso, uma injustiça. E aquilo que se pensava ser apenas um marcar de posição acabou por tornar-se uma espécie de braço de ferro.
As duas razões que teriam levado Ronaldo a fazer “greve” não tinham sido alteradas, a “greve” mantinha-se. De acordo com Pedro Sousa, no canal Now, a principal razão está relacionada com os salários em atraso no Al Nassr, que não apanham jogadores mas que envolvem vários funcionários entre elementos do setor da formação, fisioterapeutas ou enfermeiros, entre outros. Em paralelo, havia também a diferença de atuação entre Al Nassr e Al Hilal, com o rival saudita a gastar cerca de 92 milhões de euros incluindo a contratação de Karim Benzema ao Al-Ittihad contra apenas 300 mil do Al Nassr pertencendo ambos ao Fundo Público de Investimento saudita. Ninguém conhecia o seu próximo passo, todos “temiam” esse próximo passo.
This was Jorge Jesus' 100th #RoshnSaudiLeague match, he faced Al Ittihad 7 times, winning 6 of them ???????????? pic.twitter.com/JeEKb8PlFM
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Ronaldo tem um ordenado principesco no Médio Oriente à razão de 200 milhões de euros por temporada até 2027 mas nem por isso deixa de olhar à volta e perceber o que se passa. A diferença no mercado foi gritante, a diferença entre os dois conjuntos de Riade ficava ainda mais adensado – e a estreia de Benzema mostrou isso mesmo, com um hat-trick frente ao Al Akhdoud que mostrou todos os argumentos para defender a sua liderança no Campeonato. Para já, aquilo que o Al Nassr podia fazer era defender a vantagem de apenas um ponto de diferença na prova. No entanto, na sequência de uma série de cinco triunfos consecutivas (com os três últimos a chegarem sem golos sofridos), seguia-se o atual campeão em título, o Al-Ittihad.
Al Nassr's full tifo unfurled during their game vs. Al Ittihad at Al Awwal Park ????️ pic.twitter.com/Jju8pvEJMw
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No final de um encontro sem grandes oportunidades e que deixou Sérgio Conceição pouco convencido com a arbitragem por um lance ainda na primeira parte em que o central Simakan tocou a bola com a mão na área, o Al Nassr conseguiu chegar ao triunfo nos minutos finais, com Sadio Mané a inaugurar o marcador de penálti (85′), Ângelo a fechar as contas em 2-0 no sétimo minuto de descontos, João Félix a voltar a ser um dos mais ativos e Ronaldo a aparecer como grande figura apesar de não estar presente, com milhares de cartolinas amarelas com o 7 do português e cânticos de apoio… ao minuto 7. No final, mais uma vez, Jorge Jesus voltou a saltar a flash interview por solidariedade com o capitão. E daqui para a frente?
Angelo ???????? scored a brilliant solo goal, then hit the SIU ???? pic.twitter.com/drB6QvlSoJ
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Number 7️⃣ on the clock, number 7️⃣ being held up by Al Nassr's fans ???? pic.twitter.com/K54Yu0nuca
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“Não tenho nada a dizer ao Comité de Arbitragem. Vejam o que aconteceu hoje. Estou a falar de factos. Duas equipas similares competiram e este tipo de eventos acabam por mudar o rumo dos jogos. Vocês viram o que aconteceu. Um penálti claro sobre o Simakan no início do jogo que teria mudado tudo e ainda um segundo também claro no final. Infelizmente a arbitragem mudou o curso do jogo”, disse Sérgio Conceição no final da partida, numa opinião secundada por outros jogadores do Al-Ittihad como Fabinho ou Danilo.
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