A tempestade Marta já passou, mas a chuva não vai dar trégua nos próximos dias e ainda se sentem em várias zonas do continente os efeitos de um ciclo de depressões que provocou inundações, derrocadas e muitos estragos em infraestruturas e casas.

As cheias e inundações surgem num dos trimestres mais chuvosos dos últimos 25 anos. Entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, os valores são já cerca de 1.5 a 2 vezes o valor normal na maior parte das bacias hidrográficas. Em várias regiões, a precipitação acumulada aproxima-se ou já corresponde ao valor médio anual esperado. O que colocam estes três meses como os sétimos mais mais chuvosos desde 1931 e o segundos desde 2000.

O mês de janeiro de 2026 destaca-se de forma particular, com um total de precipitação cerca do dobro do valor médio mensal. Fica assim como o 2.º janeiro mais chuvoso desde 2000 e o 14.º desde 1931. Todas as estações meteorológicas registaram valores superiores ao normal e, em grande parte do país, a precipitação variou entre 150% e 300% da média, atingindo localmente valores ainda mais elevados, segundo dados do IPMA.

Este padrão resultou do padrão meteorológico com uma circulação atmosférica de oeste, associada a um transporte intenso de humidade. O tal corredor abertos para os comboios de tempestades e, ao mesmo tempo, para os rios atmosféricos das Caraíbas. Daí a chuva frequente e persistente, com impacto positivo no volume das barragens, mas ao mesmo tempo com os riscos que estamos a viver: cheias, inundações e deslocamento de terras.

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