Final de agosto, primeiro clássico da temporada de 2025/26, novo “alinhamento” entre presidentes de FC Porto e Sporting. À semelhança do que aconteceu nos três clássicos em 2024/25, Frederico Varandas e André Villas-Boas assistiram juntos na tribuna de Alvalade ao primeiro duelo relativo à quarta jornada, tendo a seu lado o presidente da Liga, Reinaldo Teixeira, e o vice-presidente da FPF, Daniel Carriço. A vitória acabou por cair para os azuis e brancos, que se isolaram nesse momento no topo da Liga numa condição que mantêm até agora, mas esse acabaria por ser um marco de viragem numa relação que foi azedando com o tempo.

Nunca é avisado recolher tudo contra esta equipa com desconto (a crónica do FC Porto-Sporting)

Foram as várias intervenções dos dois lados apontando críticas ao rival direto. Villas-Boas falou de uma espécie de imunidade de Varandas quando falava de arbitragens e apontou a uma alegada predominância dos verde e brancos nos órgãos federativos, Varandas disse que Villas-Boas era tudo menos uma lufada de ar fresco falando mesmo de “bafio e hipocrisia”, não passou ao lado do caso da TV no balneário do árbitro Fábio Veríssimo e apontou a “40 anos de frutas e escutas” dos azuis e brancos. Nos últimos dias, e depois de uma intervenção de Villas-Boas antes do clássico, Varandas preferiu não falar para manter o foco da preparação da equipa sem ruído externo mas havia essa curiosidade de onde ficaria sentado no Dragão.

Ainda antes do apito inicial, essa dúvida ficou desfeita, com Frederico Varandas logo numa primeira fila da tribuna do Dragão onde estavam também Pedro Duarte, presidente da Câmara Municipal do Porto, Hugo Soares, líder da bancada parlamentar e secretário-geral do PSD, e Rui Moreira, antigo líder da autarquia. Ou seja, e se nos encontros com o Benfica Villas-Boas nunca esteve ao lado de Rui Costa na tribuna, com o Sporting essa regra manteve-se mesmo com o “arrefecer” das relações. No entanto, não faltaram motivos de queixa por parte dos leões a vários níveis nesta deslocação ao Dragão… e em vários locais.

Depois de uma noite em que voltou a haver rebentamento de fogo de artifício junto do hotel onde a equipa do Sporting pernoitou em Gaia (neste caso, em dois momentos diferentes da madrugada), os fóruns leoninos foram partilhando ao final da manhã umas cortinas pretas em parte do setor reservado aos adeptos visitantes no Dragão, que essas primeiras mensagens indicavam ser uma forma de “abafar” o som que vinha dessa zona do recinto. Os responsáveis azuis e brancos justificaram essas cortinas por uma intervenção técnica pontual ligada à instalação sonora mas, de acordo com vários relatos durante a noite, os adeptos leoninos queixaram-se do ruído que ia saindo das colunas nessa zona, que “abafavam” os cânticos.

Também na fase final do período de aquecimento houve mais um “incidente” que deixou os responsáveis do Sporting particularmente desagradados, com Morten Hjulmand, capitão de equipa, a ser abordado por dois adeptos que estavam junto ao túnel com camisolas do Atl. Madrid, clube que terá mostrado interesse na sua contratação no último dia do mercado de transferências de inverno, tendo mesmo levado com uma dessas camisolas na cara antes de agarrar e dar a um dos seguranças que estavam na zona.

Já nos derradeiros minutos, houve mais uma situação que foi mesmo apanhada em parte pela realização da SportTV: no segundo minuto de descontos, os apanha-bolas retiraram todos os cones e bolas que estão no relvado, numa obrigatoriedade instituída pela Liga esta época para evitar que o recomeço do jogo fosse retardado, colocando tudo atrás dos painéis publicitários. Também as toalhas que Rui Silva tinha na zona da baliza para secar as luvas numa noite que teve muita chuva foram tiradas nessa parte final.

Foi também na segunda parte que a claque Super Dragões ergueu uma tarja contra Frederico Varandas com a frase “Se chamar ‘bandido’ não é crime, dizer que o Varandas é um filho da p*** é um elogio”. Por fim, foram partilhadas imagens do balneário do Sporting no Dragão, que foram forradas com várias capas do jornal O Jogo de conquistas que o FC Porto foi conseguindo ao longo dos anos no futebol. Também o ar condicionado no espaço estava ligado com uma temperatura acima do normal, não havendo depois a possibilidade de mexer nos comandos para normalizar a situação no balneário. O FC Porto veio desmentir mais tarde que essa decoração tivesse sido colocada de forma propositada antes do clássico, explicando que existe desde setembro e que faz parte das visitas ao Estádio e ao Museu do clube.