O príncipe William chegou na noite da passada segunda-feira na Arábia Saudita, onde segue uma visita oficial de três dias solicitada pelo Governo britânico, com o objetivo de melhorar as relações entre os dois países. O herdeiro ao trono britânico foi recebido em Riade pelo príncipe Mohammed bin Abdulrahman bin Abdulaziz, e depois seguiu para uma visita guiada privada por At-Turaif, património mundial da UNESCO, onde esteve com o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, a quem ofereceu uma camisola da seleção inglesa de futebol usada pelo capitão, Harry Kane. De acordo com o Palácio de Kensington, os dois príncipes tiveram uma “conversa calorosa e abrangente que abordou muitos elementos da relação bilateral entre o Reino Unido e a Arábia Saudita”.

Já esta terça-feira, o filho de Carlos III partilhou nas redes sociais o “passeio pelo Boulevard dos Desportos em Riade para ver como a infraestrutura de energia renovável, o design ambiental e a arte pública estão a criar um ambiente urbano mais verde e habitável, integrando o desporto e a comunidade ao coração da cidade.”

Além da transição energética na Arábia Saudita, a viagem também tem como foco algumas sensibilidades diplomáticas, tendo em conta o histórico de violações de direitos humanos no país. O príncipe britânico também visitou a Misk Sports City, onde se reuniu com jovens jogadoras de futebol. De recordar que na Arábia Saudita as mulheres não podiam frequentar eventos desportivos até 2018, e as raparigas não tinham aulas de educação física até 2017. Ao falar com residentes locais, o príncipe conversou com Reem Alroawaili, de 43 anos, que terá falado sobre “empoderamento feminino”. “Vivi os dias antigos nos quais não podíamos fazer nada e agora estou feliz porque a minha filha pode viver uma vida boa, melhor”.

De acordo com a BBC, William foi informado sobre a reputação do príncipe saudita e o histórico de violações aos direitos humanos no país, além do polémico caso do jornalista Jamal Khashoggi, que foi assassinado no consulado saudita em Istambul depois da aprovação de Mohammed bin Salman. Entretanto, de acordo com uma fonte da realeza, o herdeiro ao trono britânico “não hesitou” ao ser abordado sobre a viagem. “Ele leva o seu papel como príncipe de Gales muito a sério, então quando o Governo pede, ele faz”. A viagem reflete o papel cada vez mais ativo do príncipe William dentro da realeza britânica. Em novembro de 2025, o herdeiro ao trono representou o Rei numa visita oficial ao Brasil.

A visita acontece numa altura em que Mohammed bin Salman tem tentado mudar a imagem do país, apresentando a Arábia Saudita como um destino de turismo e compras de luxo e com uma posição privilegiada nas mesas de negociação na política internacional. Para este fim, o príncipe herdeiro tem contado também com a ajuda de Cristiano Ronaldo, que joga no Al-Nassr e é embaixador do turismo no país — e também acompanhou bin Salman numa ida à Casa Branca no final de 2025.

Antes de embarcar, o herdeiro ao trono britânico reagiu pela primeira vez ao envolvimento do ex-príncipe André no caso Epstein, através de um comunicado conjunto com a mulher em que se afirmam “preocupados” e “focados nas vítimas”. Especialistas em realeza acreditam que a intenção foi evitar o tema durante a viagem oficial, apesar do príncipe já ter sido questionado novamente durante os compromissos em Riade esta terça-feira, avança a BBC.

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