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O secretário-geral do PCP disse esta terça-feira esperar que o pacote laboral seja retirado antes de ter de ser avaliado pelo Presidente da República, mas garantiu “não ter ilusões” sobre Seguro, embora lembrando as posições do socialista na campanha.
Em conferência de imprensa após uma reunião do comité central do PCP, em Lisboa, Paulo Raimundo foi questionado sobre o que espera que o Presidente da República eleito, António José Seguro, faça em relação ao pacote laboral.
Raimundo respondeu que que tem a expectativa de que o Governo “tenha o bom senso de retirar este pacote laboral da discussão” para que nem chegue ao Palácio de Belém.
“Eu acho que nem vale a pena chegarmos a esse extremo. Acho que nem vale a pena o novo Presidente da República ser confrontado com um documento que não tem pernas para andar, nem pode andar”, defendeu, insistindo que o anteprojeto do Governo “é para ser retirado”.
Questionado sobre se o PCP se arrependerá de ter apoiado Seguro na segunda volta caso este promulgue estas alterações à lei laboral, Raimundo disse que o partido não se arrepende e está satisfeito por ter apelado à derrota de um candidato com um “projeto antidemocrático e em confronto com a Constituição”, mas ressalvou não ter ilusões sobre o chefe de Estado eleito.
“Não temos ilusões sobre mais nada”, garantiu, porém recordando as posições assumidas por António José Seguro na campanha sobre o conjunto de alterações à lei laboral propostas pelo Governo.
“Não posso deixar de sublinhar que todos nós ouvimos o que o então candidato António José Seguro afirmou sobre o pacote laboral. Primeiro disse que não estava a haver necessidade de haver uma revisão da lei e depois que se o pacote laboral fosse aquele, que ele não acompanhava”, lembrou.
O secretário-geral do PCP defendeu que impõe-se ao vencedor das eleições presidenciais jurar a Constituição e “não ser suporte a uma política que a afronta todos os dias” e que é “contrária às respostas necessárias do país”.
Também sobre as presidenciais, Raimundo acusou o candidato André Ventura de ter criado uma “operação de instrumentalização das sucessivas tempestades com o questionamento e a descredibilização das eleições” e argumentou que a “significativa participação eleitoral derrotou esta operação e impediu que alguém com uma agenda reacionária, antidemocrática e em profundo confronto com a Constituição se instalasse na Presidência da República”.
“A derrota de André Ventura, para a qual o PCP ativamente apelou e participou, não significa que se desvalorize o impacto negativo que tem junto de largas camadas da população a ampla e sistemática difusão de concepções retrógradas, xenófobas e racistas, a mentira e os apelos sucessivos à divisão e à discriminação”, disse ainda.