Depois da Nils ainda chega mais uma tempestade, a Oriana. É a 15.ª desta temporada, a 9.ª desde janeiro, a primeira com a letra O tão cedo no ano (em 2025 só lá chegámos em abril). Portugal não será afetado diretamente pela Oriana, mas pelo sistema frontal de onde ela vai nascer, depois de atravessar a Península Ibérica e chegar ao Mediterrâneo. Será esse embrião da nova tempestade a causar o próximo, e provavelmente último, episódio de chuva e vento fortes que atingirá o continente na tarde e noite de quinta e ao longo da manhã de sexta-feira, 13. Além disso, a Oriana permitirá a entrada de uma massa de ar frio ártico, que deixará muito frio o dia dos namorados, sábado, 14. Mas, e este mas é muito importante, depois a Oriana funcionará como que uma espécie de botão que desligará a chuva, mudará o padrão atmosférico e fará retornar o sol.

De quinta para sexta-feira, haverá assim períodos de chuva, por vezes forte, e vento com rajadas até 80 km/h, em quase todo o país. Durante a manhã de sexta-feira ainda se sentirão aguaceiros, que podem ser de granizo e ser acompanhados de trovoadas. Acontecerá durante o período em que Portugal será atravessado pelo tal sistema frontal, mais um, associado a uma região depressionária a norte da Península Ibérica. Toda a depressão se deslocará depois para Espanha, onde a tempestade se irá formar.

O continente, aliás, está já todo sob alerta amarelo: em Faro e Beja os avisos são para vento, da meia-noite às 21h00 de sexta-feira, e em Bragança, das 3h00 às 21h00. Nos restantes 15 distritos, Setúbal, Évora, Portalegre, Santarém, Lisboa, Leiria, Castelo Branco, Guarda, Viseu, Coimbra, Aveiro, Porto, Vila Real, Braga e Viana do Castelo, os avisos são para chuva forte das 00h00 às 3h00 no sul e das 21h00 às 6h00 no norte e centro e para vento das 00h00 às 18h00 a sul e das 3h00 às 21h00 a norte e centro.

Há ainda agitação marítima, mais ligeira a norte ((aviso amarelo até Aveiro) e mais severa a centro e sul (resto da costa a laranja).

Para além disso, com o afastamento da Nils para o norte de França e a formação da Oriana no Mediterrâneo, haverá uma injeção de massa de ar frio continental, vinda do Ártico, na Península, que trará neve às cotas mais altas: Guarda e Castelo Branco têm avisos de neve desde a madrugada de sexta até à noite de sábado, dia dos namorados.

Mas depois a Oriana fará a sua ciclógenese explosiva no (quente) Mediterrâneo (a zona de Barcelona e Valência sofrerão com ventos e chuvas intensas, bem como as baleares), ao mesmo tempo o anticiclone dos Açores já estará no caminho para se posicionar no seu local habitual e sairá reforçado de todos estes movimentos — desviando logo um novo rio atmosférico —, e o jet stream, o jato polar, fará a subida para latitudes mais a norte, pondo uma portagem quase insuportável na autoestrada que tem permitido esta imparável passagem de tempestades. E será assim que a Oriana trará a reboque o sol.

Assim, deste comboio de tempestades que nos têm chegado desde janeiro, a carruagem 9, que é a Oriana, será mesmo a última para já. Sábado, 14, fará mais frio (há um preço a pagar), mas já se verá o sol. Teremos aguaceiros até ao Carnaval e quarta-feira de Cinzas, mas depois entramos em tempo mais primaveril.

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