É um daqueles apelidos que rapidamente nos transporta para outras realidades. Gina Lollobrigida foi um pouco de tudo: atriz, modelo, fotojornalista e escultora, uma das figuras maiores dos anos 50 e 60 e ícone da idade de ouro de Hollywood. Quando morreu, em 2023 e já com 95 anos, ainda deixou legiões de fãs e milhões que a têm como verdadeira inspiração. O apelido, porém, continua a aparecer nas capas dos jornais.

Este sábado, Francesca Lollobrigida venceu os 3.000 metros de patinagem no gelo em velocidade e conquistou a primeira medalha de ouro de Itália nos Jogos Olímpicos de inverno que estão a decorrer em Milão-Cortina. No dia em que completou 35 anos, a italiana foi a mais rápida no Milano Speed Skating Stadium, ficou à frente da norueguesa Ragne Wiklund e da canadiana Valerie Maltais e ainda quebrou o recorde olímpico na distância.

Ora, Francesca Lollobrigida é sobrinha-neta de Gina Lollobrigida. Nasceu em 1991, já muito depois de a tia-avó ser um ícone cinematográfico, mas ainda se conheceram e ainda existe um terceiro elemento conhecido da família — Francesco Lollobrigida, primo direito da atleta e também sobrinho-neto da atriz, que é o atual ministro da Agricultura do governo de Giorgia Meloni.

Com a vitória deste fim de semana, para além do recorde olímpico, Francesca também encerrou um período de autêntica hegemonia dos Países Baixos na modalidade, já que os últimos três ouros nos 3.000 metros de patinagem no gelo tinham ficado com neerlandesas. A italiana já tinha sido medalha de prata nesta distância na última edição, em Pequim 2022, sendo que aí também alcançou o bronze em mass start. Antes, também já tinha participado nos Jogos Olímpicos de inverno de Sochi, em 2014, e nos de Pyeongchang, em 2018.

“Esta medalha significa muito, mas é também uma demonstração. É o facto de não me ter rendido, de ter formado uma família, de ter sido mãe e de ter voltado a competir”, disse Francesca depois da prova, referindo-se ao filho Tommaso, que nasceu em 2023 e que abraçou assim que cruzou a meta. “Estar em Itália, saber que o meu filho, o meu marido, a minha mãe, o meu pai, a minha irmã e todos os meus amigos estão aqui… Fez-me muito feliz. Fi-lo por mim, mas também por todos os que sempre acreditaram em mim”, sublinhou a italiana, que já tinha sido campeã europeia de mass start em 2018 e campeã mundial dos 5.000 metros no ano passado.