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Mau tempo causou a morte de mais de 400 papagaios-do-mar. Uma ave foi encontrada debilitada a Cascais e foi salva

Este artigo tem mais de 6 meses

Nos últimos dias, mais de 400 papagaios-do-mar foram encontrados mortos na costa portuguesa. Mas uma ave foi encontrada viva no Tamariz, apesar de incapaz de voar, e está agora em recuperação.

Ave poderia ter morrido se não fosse resgatada e tratada
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▲Ave poderia ter morrido se não fosse resgatada e tratada

@cram.ecomare/Instagram

▲Ave poderia ter morrido se não fosse resgatada e tratada

@cram.ecomare/Instagram

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Um jovem papagaio-do-mar foi resgatado na praia do Tamariz, em Cascais, informou na quarta-feira o Centro de Recuperação de Animais Silvestres de Lisboa numa publicação no Instagram. A ave foi acolhida pelo LxCRAS “com a plumagem oleada, incapaz de voar e de se alimentar“. Segundo aquela associação, o animal estava tão debilitado que poderia ter morrido.

Foram necessários vários banhos para remover todo o óleo [proveniente de embarcações] do corpo da ave marinha, que foi também hidratada e alimentada antes de ser referenciada ao Centro de Reabilitação de Animais Marinhos (CRAM), em Ílhavo. Encontra-se, neste momento, estável “e a recuperar força para, muito em breve, regressar ao seu habitat, o oceano”, foi referido na rede social. “Cada ave recuperada e devolvida à natureza representa esperança para a conservação da espécie, e cada pessoa que observa, liga, resgata ou informa faz a diferença”.

Papagaios-do-mar são frequentemente confundidos com pinguins CRAM/Facebook

Papagaios-do-mar são frequentemente confundidos com pinguins

Nos últimos dias, mais de 400 papagaios-do-mar foram encontrados mortos na costa portuguesa, informou a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA BirdLife) num comunicado. Há registos de dezenas de “arrojamentos” — nome dado pelos cientistas ao elevado aparecimento de aves a dar à costa — no litoral norte, em Peniche, no sudoeste alentejano e também nos Açores. “É muito provável que os 400 registos que temos sejam apenas uma pequena parte do total”, afirmou Hany Alonso, Técnico Sénior de Ciência na SPEA.

Aquele serviço de atendimento tem recebido muitos papagaios-do-mar “de vários pontos do centro do país“, pelo o que pode estar relacionado à agitação marítima e fortes ventos causados pelas tempestades que assolam toda a Península Ibérica. Casos semelhantes têm sido reportados na Galiza, em Espanha, com 400 registos até ao momento, e na costa atlântica de França, com mais de 200.

Confundido frequentemente com o pinguim, o papagaio-do-mar é uma pequena ave marinha que migra longas distâncias. A atividade humana no mar impacta-os diretamente, sendo o excesso de pesca uma ameaça à sua alimentação, além da contaminação por combustível de barcos e a captura acidental. O animal é ainda vítima de epidemias como a gripe aviária. No âmbito da sequência de tempestades que afetam o Atlântico europeu, as aves marítimas tendem a buscar refúgio em terra, chegando exaustas aos territórios à beira-mar.

O SPEA alerta para que, no caso de serem avistadas aves debilitadas — como os papagaios-do-mar, gaivotas, alcatrazes e tordas-miúdas — deve-se contactar o SEPNA/GNR, que é responsável por recolher e tratar dos animais. É recomendado que se evite o contacto direto com a ave e que esta não seja alimentada, pois é necessário que seja avaliada por uma equipa veterinária, cujos contactos são:

Portugal continental:
SEPNA/GNR: 808 200 520
Contactos dos centros de recuperação

Madeira:
SEPNA/GNR: 291 214 460
Rede SOS Vida Selvagem

Açores:
Linha SOS Ambiente: 800 292 800

Hany Alonso/SPEA, Mar à Deriva⁠ ⁠

Animais marinhos também são afetados pelo mau tempo

No caso dos animais encontrados já mortos, pode-se colaborar com os cientistas com o registo de fotos partilhadas através da plataforma ICAO. Desta forma, as associações conseguem contabilizar os casos e analisar em quais regiões estes mais ocorrem. “Se a ave tiver uma anilha na pata, registe o número ou tire uma fotografia da anilha. Anote a localização e a data”.

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