Podia ser o clássico da redenção, podia ser o clássico da confirmação. Podia ser o clássico da aproximação, podia ser o clássico da fuga. No final, foi um clássico com tudo menos vencedores. Teve oito golos apenas nos 15 minutos finais, não teve nenhuma equipa a ganhar – mas, no final, foi um encontro que teve o Benfica de novo a sair melhor do Dragão Arena, depois de um empate que manteve os cinco pontos de avanço sobre o Sporting, que não foi além de uma igualdade frente ao HC Braga, e permitiu conservar o estatuto de invencível na temporada de 2025/26 frente a um conjunto azul e branco que escreveu mais um capítulo de irregularidade numa época com mais baixos do que alto que deixou a equipa mais longe do terceiro lugar.

Voar sobre a crise alheia para a liderança isolada: Benfica vence clássico na Luz e adensa mau momento do FC Porto

“Vamos encontrar um Benfica ainda mais calculista, um bocadinho diferente daquilo que defrontámos no passado sábado, ainda com mais cautelas no processo defensivo e a tentar que seja o FC Porto a assumir por completo as despesas do jogo trabalhando em cima do nosso erro. Temos de corrigir algumas situações que foram demasiado penalizadoras no último jogo mas também tivemos uma produção mais do que suficiente para passar a eliminatória da Taça de Portugal. Já fizemos o luto e estamos preparados para conquistar três pontos. Temos de seguir em frente corrigindo as pequenas coisas em que não estivemos bem, nomeadamente no processo ofensivo e num momento tão importante do jogo como é a perda da posse de bola, no qual eles acabaram por nos colocar dificuldades e materializar a vantagem”, apontara Paulo Freitas, treinador dos dragões, na sequência da derrota no clássico a contar para a Taça de Portugal.

“Depois do que aconteceu no encontro da Taça de Portugal no sábado, é possível que o nível físico do jogo seja ainda mais exigente porque eles têm muita necessidade de pontuar no Campeonato. Estamos prontos para esse desafio que é ganhar no Dragão, ainda para mais duas vezes consecutivas. Este emblema não permite entrar num jogo nem para empatar, nem para perder. É impossível. Portanto, vamos sempre para ganhar em qualquer tipo de competição. Conseguimos ser melhores nas transições, sabemos que o FC Porto também terá feito correções nesse sentido”, destacara Edu Castro, técnico dos encarnados, depois do segundo triunfo da época frente aos azuis e brancos que valeu a passagem aos quartos da Taça.

Após duas temporadas em que o FC Porto foi melhor nos confrontos diretos com o Benfica, fosse a contar para o Campeonato, fosse para a Liga dos Campeões, a presente temporada tinha invertido as contas, com os encarnados a vencerem na primeira volta no Pavilhão da Luz (4-2) e a conseguirem também eliminar o rival direto nos oitavos da Taça de Portugal em pleno Dragão Arena (3-2). Agora, no reencontro apenas quatro dias depois, tudo terminou com um empate a quatro que permitiu que os encarnados conservassem a sua invencibilidade, averbando a segunda igualdade do Campeonato após o 2-2 frente ao Sporting.

Com André Villas-Boas na tribuna como tem sido hábito nos jogos grandes mas agora com Francesco Farioli, técnico da formação de futebol, também a assistir ao encontro, o clássico chegou ao intervalo sem golos entre o mérito dos guarda-redes Xavi Malián e Pedro Henriques mas teve depois uma chuva de remates certeiros nos derradeiros 15 minutos: Carlo Di Benedetto inaugurou o marcador numa jogada de envolvimento após defesa de Pedro Henriques a um penálti de Gonçalo Alves (35′), João Rodrigues bisou depois num período de power play dos encarnados por um cartão azul a Rafa (36′ e 37′), Gonçalo Alves também bisou marcando o 2-2 numa situação de power play por um cartão azul a Zé Miranda e fazendo a reviravolta de penálti (39′ e 43′), Nil Roca empatou logo na jogada de saída alguns segundos depois (43′) e Hélder Nunes marcou o 4-3 depois de um livre de Carlo Di Benedetto ao poste (45′). Só aí o jogo “acalmou” mas, a menos de um minuto do final, Zé Miranda aproveitou uma situação de 5×4 para fazer o 4-4 final de meia distância (50′).