A tensão no Médio Oriente escalou rapidamente. Depois dos ataques de Israel e Estados Unidos da América (EUA) ao Irão, a reação não tardou. Mas o conflito não foi contido nos países inicialmente envolvidos e, depois de ter atingido o vizinho Líbano, entrou na União Europeia, pelo Chipre, esta segunda-feira.
A primeira ameaça surgiu ainda na noite de domingo e as primeiras notícias da imprensa local e britânica davam conta de fortes explosões perto da base aérea britânica em Akrotiri, no Chipre. Segundo o Cyprus Mail, todo o pessoal que se encontrava na base aérea terá recebido ordens para procurar abrigo nas suas casas e manter-se longe de janelas. A ameaça seria, de acordo com o primeiro relato, de um “drone pequeno” que não fez estragos nem ferimentos, mas que provocou explosões ouvidas na cidade de Limassol.
Horas antes, o secretário de Estado para a Defesa do Reino Unido, John Healey, tinha confirmado que pelo menos dois mísseis iranianos tinham sido lançados contra esta base militar, tendo sido intercetados. Ainda antes da meia-noite, as bases britânicas teriam declarado “ameaça à segurança”.
A confirmação oficial por parte do Reino Unido chegou algumas horas depois. “As nossas forças armadas estão a reagir a um suposto ataque com drones à base da Royal Air Force em Akrotiri, em Chipre, ocorrido à meia-noite” (22h00 de domingo em Lisboa), disse um porta-voz do Ministério da Defesa, citado pela imprensa britânica, como o The Independent,
“O nosso dispositivo de proteção na região está no nível mais alto”, reagiu, registando a ausência de vítimas na sequência deste “suposto ataque”. Recentemente, Londres enviou recursos adicionais para a base de Akrotiri, a maior base militar do Reino Unido na região, instalada no território britânico ultramarino desde a independência cipriota em 1960. Entre os recursos enviados estão sistemas de defesa antiaérea e antidrones, radares e aviões F-35.
No domingo, quando disse que Londres não iria participar em “ações ofensivas no Irão”, o primeiro-ministro, Keir Starmer, anunciou que tinha concordado que os EUA utilizassem bases militares britânicas para atacar mísseis iranianos.
“Todos nos lembramos dos erros cometidos no Iraque e aprendemos com eles. (…) [Mas] o Irão ataca os interesses britânicos e coloca em grave perigo os seus cidadãos. (…) A única forma de pôr fim à ameaça é destruir os mísseis na fonte — nos depósitos de armazenamento ou nos lançadores que servem para disparar esses mísseis”, reforçou Starmer.
Alerta em Chipre estende-se a aeroporto. Algumas escolas foram evacuadas por precaução
Na manhã desta segunda-feira, a preocupação alastrou-se da zona sudoeste (onde fica Akrotiri) da ilha para a zona mais ocidental, atingindo o aeroporto de Pafos. Os radares detetaram um objeto suspeito, o que levou à evacuação do único terminal do segundo aeroporto mais movimentado do Chipre.
Ao início da tarde desta segunda-feira, as atenções voltaram a concentrar-se na base aérea britânica no Chipre, depois de terem sido “intercetados com sucesso” dois drones que se dirigiam à base em Akrotiri. Depois disso, a base militar britânica foi, então, evacuada, avançou a agência France-Presse (AFP). Cerca de 70 carros foram vistos a deixar a zona da base de Akrotiri, na costa sul da ilha mediterrânica, precisou a AFP.
“A segurança dos nossos funcionários e as suas famílias são, sem dúvida, a nossa prioridade. Como medida preventiva, estamos a retirar familiares que vivam na base de Akrotiri para instalações alternativas na ilha de Chipre. A nossa base e os nossos funcionários continuam a trabalhar como habitual para garantir a proteção do Reino Unido e dos nossos interesses”, lê-se num comunicado do ministério da Defesa britânico, citado pelo Guardian.
Antes disso, o Presidente cipriota já se tinha dirigido ao país, reconhecendo a inevitabilidade de estarem situados tão perto de uma zona com grande instabilidade — que se acentuou bastante nos últimos dias. “Estamos localizados numa região com particular instabilidade geopolítica, que enfrenta uma crise sem precedentes, o que traz muitos desafios e problemas”, disse Nikos Christodoulides.
“Estamos a fazer o que devemos fazer, com a segurança dos nossos cidadãos e do nosso país como preocupação principal”, rematou, citado pelo The Guardian. As autoridades de Chipre estão em alerta constante e o país já se viu obrigado a encerrar escolas e a retirar pessoas de alguns locais, depois de ter sido arrastada para o conflito que se desenrola a poucas centenas de quilómetros da ilha.
Através das redes sociais, a Embaixada de Portugal em Nicósia disse apenas que “são desaconselhadas as viagens ao Médio Oriente”. “Recomenda-se que os cidadãos portugueses na região redobrem o cuidado, que se mantenham em casa ou num local abrigado, evitando dentro do possível, deslocações ao exterior”.