Os trabalhadores da Associação para a Promoção do Desenvolvimento Juvenil (APDJ), que presta apoio em 15 escolas de Sintra, têm salários em atraso e, em 12 de março, vão fazer greve e concentrar-se em frente aos Paços do Concelho.

Segundo explicou o dirigente do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas João Santos, os trabalhadores da APDJ receberam nos últimos dias o salário de janeiro, mas “continuam a ter o de fevereiro em atraso”, situação que “já vem de algum tempo”, com o vencimento pago “a prestações”, de 8% ou 7%, que vai sendo “regularizado assim”.

“Neste momento, a empresa tem uma dívida de 100 mil euros à Segurança Social, de 52 mil euros de dívida de autocarros e de ordenados dos trabalhadores”, referiu à Lusa, acrescentando que, para a situação, também contribuiu “a Câmara de Sintra há 17 anos não atualizar as comparticipações”.

Em comunicado, o sindicato explicou que a APDJ é uma instituição particular de solidariedade social (IPSS), que realiza tarefas de componente de apoio à família e “atividades de enriquecimento curricular para 15 escolas públicas de Sintra, através de um protocolo assinado com a câmara municipal”.

“A sua atividade abrange cerca de 1.400 alunos, realizando os horários extra das Escolas Básicas do 1.º Ciclo e Jardins de Infância, ou seja das 7h00 às 9h00 e das 15h30 às 19h00, em tempo letivo”, acrescenta-se na nota, bem como as atividades de enriquecimento curricular nos 15 estabelecimentos de ensino.

Além disso, nos tempos não letivos, das férias de Natal, Carnaval e de Verão, “atuam o dia inteiro proporcionando atividades lúdicas e recreativas”, sendo “um apoio fundamental para estas crianças e para os seus encarregados de Educação”, salientou o sindicato.

Os mais de 100 trabalhadores atuam nas escolas “em atividades sempre apoiadas pela autarquia de Sintra, na prática a única financiadora desta instituição”, considerou a organização sindical, notando que os salários em atraso constituem “uma situação aflitiva e inadmissível”.

O sindicato já solicitou à DGERT (Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho) para intervir na situação e advogou que a autarquia, “principal financiadora” da instituição, “também tem de ser chamada à responsabilidade, de modo a encontrar soluções para a continuidade desta imprescindível associação”, o que “passará, necessariamente, pela atualização dos protocolos, sem revisão há cerca de 17 anos”.

Como referiu João Santos, a APDJ já se “reuniu com o novo executivo” e “há a promessa da câmara de rever” os protocolos, e o sindicato “pediu também uma reunião com caráter de urgência” à autarquia, mas “não teve resposta”.

Apesar de os valores no protocolo terem “uma atualização anual”, a comparticipação “está muito aquém” do valor adequado ao serviço prestado, apontou o dirigente sindical.

Por isso, foi convocada uma greve para 12 de março, com a concentração dos trabalhadores às 9h00 em frente à sede da APDJ e, pelas 11h00, junto à Câmara Municipal de Sintra para “exigir soluções para o pagamento dos salários e encontrar soluções estáveis para o futuro”.

Contactada pela agência Lusa, a Câmara de Sintra remeteu uma resposta para mais tarde.