O comandante da PSP de Bragança, Rocha e Silva, queixou-se esta quinta-feira, da falta de polícias no comando distrital, onde o efetivo tem uma média de idades superior a 50 anos, mas assegura que a criminalidade não tem aumentado.

Nas comemorações do 150.º aniversário do Comando Distrital de Bragança, o superintendente Rui Rocha e Silva alertou para a importância de atrair jovens para a profissão, afirmando que são precisos “mais polícias” nas duas esquadras da PSP do distrito: Bragança e Mirandela.

Aos jornalistas, o comandante adiantou que o comando conta com um efetivo de 180 pessoas, admitindo que o ideal seriam “mais 50”, porque “permitiria ter uma margem de manobra muito maior”.

Por outro lado, revelou que a média de idade dos polícias do distrito se situa nos 52 anos.

“Os meios nunca são aqueles que nós gostaríamos. Aquilo que fazemos diariamente é uma gestão muito criteriosa daquilo que temos, indo ao encontro das expectativas legítimas dos cidadãos”, disse.

Essa gestão passa por apostar em civis para fazer o trabalho não operacional, o que acaba por permitir libertar polícias para as atividades operacionais.

“Atividades de cariz administrativo podem e devem ser desenvolvidas por civis, permitindo que os polícias deixem de exercer essas funções e passem a exercer funções na rua, que é onde são precisos”, explicou.

Apesar de reclamar mais efetivo, Rui Rocha e Silva assegurou que as cidades de Bragança e Mirandela são “extremamente calmas”.

“A criminalidade não tem aumentado, tem-se mantido em níveis muito estáveis. Obviamente que nós também temos uma quota-parte neste processo, mas essencialmente pela própria dinâmica da cidade [de Bragança], que assim permite. É uma cidade pacata, bem organizada, as pessoas têm princípios de cidadania bem enraizados, o que joga a favor de que a criminalidade não tem aumentado”, frisou.

Nas comemorações do aniversário foi ainda celebrado um protocolo entre a PSP e o município de Bragança, relacionado com segurança e mobilidade, incluindo a instalação de câmaras de videovigilância em locais estratégicos da cidade.

O anúncio já tinha sido feito no ano passado, nas comemorações do 149.º aniversário, mas esta quinta-feira o comandante Rocha e Silva referiu que estão agora a ser estudados os índices de criminalidade, para as câmaras serem instaladas “logo que possível” nos locais necessários.  

As câmaras de videovigilância são “uma ferramenta bastante importante quer do ponto de vista da segurança passiva e depois da segurança ativa. Isto tem a ver com prova. Se a videovigilância serve como meio de prova, permite identificar os infratores ou criminosos, levando-os à justiça. Servindo como prova, a justiça é mais efetiva”, esclareceu, acreditando que podem também servir para dissuadir alguns atos criminosos, mas também incivilidades, como vandalização de mobiliário urbano.