Segundo confirmou a Câmara Municipal de Lisboa ao Observador, a Biblioteca de Benfica – António Lobo Antunes deverá finalmente ser inaugurada no verão deste ano. Batizado com o nome do escritor — que morreu esta quinta-feira, 5 de março — trata-se de um equipamento cultural não só instalado no bairro onde o autor de Memória de Elefante nasceu, como local de acolhimento do seu espólio literário.
“A empreitada da Biblioteca Lobo Antunes encontra-se a decorrer, estimando-se que fique concluída no final do primeiro semestre/início do segundo semestre do presente ano”, respondeu o departamento de comunicação do município, sem avançar, para já, com datas concretas. “Oportunamente, será avançada a data prevista para a inauguração deste equipamento”, lê-se na resposta.
Anunciada em 2022, ainda durante o executivo de Fernando Medina à frente da autarquia, esta biblioteca chegou a ter 2024 como meta temporal para a abertura, sendo parte integrante do Fábrica 1921, um complexo de habitação de luxo assente na requalificação da antiga Fábrica Simões, na Avenida Gomes Pereira.
Esse prazo, de resto, acabou por não ser cumprido, com o processo a ser alvo de críticas por parte da Junta de Freguesia de Benfica, que acusou a edilidade liderada por Carlos Moedas de “opacidade” na gestão do mesmo.
Quando questionada pelo Observador em novembro de 2024, a CML não adiantou datas nem providenciou explicações para o atraso, afirmando apenas que estavam “em curso procedimentos tendentes ao início das obras de adaptação”.
“O facto é que começamos a achar que não iremos ter a biblioteca António Lobo Antunes até ao final deste mandato. Para já, claramente, não a iremos ter até ao final de 2024, aliás as obras não começaram. Muito honestamente, começo a achar que será difícil até 2025 termos esta intervenção terminada ou até iniciada”, desabafou na mesma altura Ricardo Marques, presidente da junta de Benfica, ao Observador.
Entretanto, a coordenadora da rede de bibliotecas de Lisboa, Edite Guimarães, revelou à revista Timeout em junho de 2025 que as obras só se iniciaram em fevereiro desse ano, apontando o primeiro semestre de 2026 como horizonte temporal para a inauguração. Já em setembro, a empresa que ganhou o concurso público para a empreitada, a Ressa, fez saber que as obras estavam a avançar “a bom ritmo” numa publicação no seu website oficial.
A resposta dada esta tarde ao Observador sugere que o prazo possa ter derrapado um pouco mais, estendendo-o para os meses de verão.
Esta tratar-se-á assim da 19ª biblioteca municipal de Lisboa, acolhendo um acervo de 20 mil obras, manuscritos e documentos cedidos por António Lobo Antunes, ato oficializado numa cerimónia em 2021.
Destes, porém, apenas 10 mil títulos ficarão disponíveis para consulta pública, como adiantou Edite Guimarães à Timeout. O restante acervo, noticiou a revista num artigo anterior, terá acesso reservado a académicos e investigadores.
Segundo a coordenadora da rede de bibliotecas de Lisboa, este equipamento terá cerca de 40.000 documentos no seu acervo integral. Segundo é possível verificar no Portal Base, para obter este volume de obras, a CML procedeu à aquisição de livros junto de quatro entidades distintas.
Ao todo, foram pagos 11,7 mil euros à FNAC, 15,7 mil euros às livrarias Almedina e 14,9 mil euros à Marka, tendo as compras sido efetuadas em regime de ajuste direto. A estas soma-se uma aquisição no valor de 29,9 mil euros à livraria Escada, efetuada após um processo de consulta prévia.
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