Mais de uma década depois, a Rússia voltou a estar em destaque no pódio de uma grande competição. Os Jogos Paralímpicos de Milão-Cortina marcam o regresso da bandeira russa aos eventos desportivos de elite e, logo no primeiro dia, o país de leste subiu ao pódio a dobrar, depois de Varvara Voronchikhina e de Aleksei Bugaev terem conquistado o bronze nas provas do downhill no esqui alpino. Contudo, o terceiro dia de competições voltou a ser histórico para a Rússia que, 12 anos depois, conseguiu um título olímpico e voltou a ver o seu hino ecoado no trono dos desportos de inverno.
Tudo aconteceu durante a manhã desta segunda-feira, com Voronchikhina novamente em destaque. No super-G, a russa até nem começou bem e passou o ponto intermédio um no décimo lugar, mas acabou por recuperar com uma prestação de trás para a frente. A meio da prova já estava no segundo lugar, chegando à liderança no terceiro intermédio. A partir daí não quebrou, terminando o super-G com o tempo de 1.15,60 minutos e a medalha de ouro no bolso. Ao seu lado no pódio estiveram a francesa Aurélie Richard (ficou a 1,96 segundos) e a sueca Ebba Arsjö, sendo que a cerimónia de entrega das medalhas só aconteceu ao final da manhã desta segunda-feira, quando todas as provas do esqui alpino terminaram.
???? Super-giant slalom could not withstand Varvara #Voronchikhina, as she won the first GOLD for #TeamRussia at @Paralympics!
???????? For the first time in 12 years, the Russian national anthem was played & the tricolour raised at a Paralympic medal ceremony!#Champion ♥️ #SoProud pic.twitter.com/0FJZmMxzce
— Russia ???????? (@Russia) March 9, 2026
É muito especial porque posso ver a minha bandeira junto aos meus amigos. Talvez agora não consiga acreditar [no ouro]. Talvez só o consiga fazer um pouco mais tarde, quando vir a minha medalha de ouro. Foi um período muito longo [a competir] sem bandeira. Todo o meu país e todos os meus colegas de equipa estão felizes. Bronze? Estou muito feliz porque é a minha primeira medalha. Foi uma medalha de bronze, mas estou muito feliz. Espero esquiar melhor nas próximas provas”, explicou a russa de 23 anos depois de ter conquistado as medalhas.
Apesar da juventude, Voronchikhina sagrou-se bicampeã da Taça do Mundo em 2021 e 2022, tendo, por esta altura, dez vitórias e 38 pódios na competição (23 segundo lugares e cinco terceiros). Em Campeonatos do Mundo somou dois ouros e pratas pratas, sendo que, ao nível europeu, tem como melhor resultado uma prata. Em termos de Jogos Paralímpicos, Varvara cumpre em Milão-Cortina a sua primeira participação, sendo que ainda vai disputar o slalom gigante, o slalom e o super combinado, sendo candidata a voltar a subir ao pódio.
Os Jogos Paralímpicos de Inverno de 2026 marcam a primeira aparição da bandeira russa desde Sochi-2014, já que, depois dessa edição, o comité da Rússia e os seus atletas foram banidos na sequência do escândalo de doping apoiado pelo Estado que assolou o desporto. Em 2022, com a invasão da Ucrânia, seguiram-se novas sanções que, por esta altura, ainda vigora na versão de verão e de inverno dos Jogos Olímpicos. A representação russa em Milão-Cortina só foi possível porque a Rússia ganhou um recurso no Tribunal Arbitral do Desporto (TAD) contra a Federação Internacional de Esqui e Snowboard (FIS). A Rússia está em Itália com uma delegação de seis atletas, tendo quatro competidores no snowboard, para lá da dupla que disputa as provas do esqui alpino. Nesse sentido, a Ucrânia encontra-se a cerca de 80 quilómetros do centro de Cortina, onde estão os russos, depois de ter boicotado a cerimónia de abertura devido a participação russa.
Rússia e Bielorrússia sob bandeira neutra nos Jogos Paralímpicos de Inverno
Inicialmente, em setembro do ano passado, o Comité Paralímpico Internacional (IPC) decidiu revogar as suspensões a Rússia e Bielorrússia, algo que a FIS não acatou, recusando-se a suspender a proibição aos atletas dos dois países. Essa suspensão entrou em vigor poucos dias antes do início dos Jogos Paralímpicos de Sóchi, em 2022, embora no ano seguinte tenha sido atenuada, permitindo que os atletas russos e bielorrussos competissem como neutros.