Laurent Blanc conseguiu o mais difícil, Laurent Blanc não teve forças para tornar depois o resto mais fácil. Após conquistar o Campeonato saudita frente a um Al Hilal com mais argumentos e um Al Nassr a tentar ir crescendo, o Al-Itihad não teve um arranque de temporada fácil, caindo logo nas meias-finais da Supertaça e andando longe daquilo que rendera em 2024/25. Os sinais estavam lá, a decisão não tardou e, pouco depois de sagrar-se campeão, o francês Laurent Blanc não conseguiu resistir ao contexto e acabou por deixar mesmo o comando técnico da formação de Jedá. Seguiu-se Sérgio Conceição, sem clube depois da passagem pelo AC Milan. No entanto, os desafios e dificuldades que o Al-Ittihad atravessava nem por isso diminuíram.

A janela de inverno do mercado de transferências foi exemplo paradigmático disso mesmo. Youssef En-Nesyri e George Ilenikhena chegaram para reforçar o ataque da equipa mas Karim Benzema e N’Golo Kanté, duas das grandes figuras (talvez as principais), acabaram por deixar o Al-Ittihad – sendo que o avançado até rumou a um rival direto, o Al Hilal. Com os vários deslizes na Liga a tornarem a missão de revalidar o título num objetivo impossível, estando na sexta posição a 15 pontos do líder Al Nassr, o técnico português foi começando a centrar atenções nos títulos possíveis e uma das metas tinha agora um degrau decisivo.

“Na comunicação social todos vão falar de como a equipa perdeu mas será que vamos ver o que se passou? Podíamos ter ganho por três ou quatro golos, todos vão ignorar isso mas devido ao absurdo do que se passou, acabaram por marcar no final. O público apoiou-nos e tem o direito de fazer o que quiser ou de falar o que quiser, pois está connosco nos momentos mais difíceis. Vaias, aplausos ou o que for, isso é com eles, mas temos de dar tudo o que temos, e o resto fica a cargo dos adeptos. Eles têm de saber que todos cometem erros mas trabalhamos todos os dias para os corrigir. Se não o fizéssemos, isso seria falta de profissionalismo”, comentou Sérgio Conceição após a última derrota com o Al-Riyadh na Liga saudita.

Com o duelo dos oitavos da Liga dos Campeões asiática frente ao Al Wahda adiado, o Al-Ittihad defrontava o Al-Kholood nas meias-finais da Taça do Rei saudita depois de ter eliminado antes o todo poderoso Al Nassr de Jorge Jesus, Ronaldo, João Félix e companhia. No entanto, e mais uma vez, tudo o que podia correr mal correu ainda pior: Doumbia saiu lesionado ainda na primeira parte, o golo do suplente Diaby (40′) acabou por ser anulado por outro de Al Aliwa (70′), Bergwijn recolocou a formação de Jedá na frente já durante o prolongamento (96′) mas o Al-Kholood conseguiu de novo chegar ao empate por Berry a nove minutos do final. No desempate por grandes penalidades, os visitados tiveram em Cozzani o herói da partida, travando as tentativas de Aouar e Diaby e dando o triunfo por 5-4 que valeu a presença na final da Taça diante do Al Hilal, equipa de Riade que venceu também nos penáltis o Al Ahli por 4-2 depois do empate a um.

“É difícil falar sobre o jogo, perder nos penalties é difícil. Disse aos jogadores para darem tudo que assumia a derrota, houve momentos em que faltou alguma agressividade ofensiva e defensiva porque tivemos várias ocasiões para matar o jogo e para ganhar o jogo. Substituições de Bergwijn e En-Nesyri? Tomei a decisão certa. Tirei um avançado e coloquei outro avançado. Era uma questão de meter alguém que me deu indicações ao longo destes dias de que poderia entrar e dar mais frescura ao ataque e o Saleh teve várias ocasiões para fazer golo. O Bergwijn pediu para sair por cansaço. Não quero saber do que vocês veem nas redes sociais, quero é saber da equipa e queria ter ganho e estar na final, para os adeptos. Infelizmente não conseguimos. Objetivos? Cheguei já no decorrer da temporada e acho que toda a gente tem de assumir as suas responsabilidades. Eu assumo as minhas”, comentou depois do encontro Sérgio Conceição.