Silvino Louro, antigo guarda-redes e treinador adjunto que trabalhou com José Mourinho, morreu esta quinta-feira aos 67 anos, confirmou o Observador. O antigo futebolista, que representou Benfica e FC Porto e foi internacional principal por Portugal, foi vítima de doença oncológica.

Nascido a 5 de março de 1959 em Setúbal, Silvino de Almeida Louro despontou no futebol como guarda-redes e no clube da terra, o V. Setúbal. Foi ao serviço dos sadinos que chegou a sénior e se estreou no Campeonato Nacional, na temporada de 1978/79. Em 82/83, passou a representar o V. Guimarães, sendo transferido para o Benfica em 1984. Depois de ter sido emprestado ao Desp. Aves (85/86), Silvino regressou à Luz e encarrilhou numa série de oito temporadas consecutivas a defender a baliza encarnada.

Em 1994, o guarda-redes regressou ao V. Setúbal e no seguinte rumou ao FC Porto, onde esteve durante duas temporadas. Já na fase final da sua carreira, Silvino ingressou no Salgueiros, onde realizou as suas últimas três épocas como jogador. A mudança de milénio trouxe novos projetos ao setubalense que, com António Oliveira, tornou-se treinador de guarda-redes da Seleção Nacional, cargo onde acabou por estar até 2002 e que acumulou, inicialmente, com o mesmo posto no FC Porto, já com José Mourinho. Quando Oliveira abandonou a Seleção, também Silvino deixou de trabalhar com a Federação Portuguesa de Futebol (FPF), focando-se nos dragões e no trabalho ao lado do Special One.

Foi com o atual treinador do Benfica que prosseguiu grande parte da sua trajetória como adjunto, com passagens por Chelsea, Inter Milão, Real Madrid e Manchester United. Essa ligação terminou em 2019 e o último trabalho de Silvino passou pelo Sudão, no Al Hilal Omdurman, em 2021. Como jogador, Silvino ganhou seis Campeonatos Nacionais, três Taças de Portugal e duas Supertaças, tendo sido internacional AA em 23 ocasiões.

Pedro Proença, presidente da FPF, reagiu à morte de Silvino durante a tarde desta quinta-feira, recordando o antigo guarda-redes como “uma figura consensual, maior do que os clubes”. “Mais do que o jogador e treinador, o futebol português perde uma figura consensual, maior do que os clubes. Um homem bom, que contagiava todos com boa disposição”, escreveu o dirigente nas redes sociais. Já André Villas-Boas, presidente do FC Porto, também deixou uma mensagem de condolências: “Foi com profunda tristeza e pesar que recebi a notícia do falecimento do Silvino. Partilhámos momentos profissionais e pessoais que vou guardar com saudade. Era uma pessoa dócil e gentil, companheiro e amigo”.

Em comunicado partilhado no seu site oficial, o Benfica recordou o guarda-redes que “ficará para sempre na memória dos benfiquistas como uma figura marcante de uma geração que muito honrou o emblema ao peito”. “Silvino representou o Benfica ao longo de nove épocas, somando 330 jogos oficiais e contribuindo de forma decisiva para a conquista de seis troféus: quatro Campeonatos Nacionais (1986/87, 1988/89, 1990/91 e 1993/94), uma Taça de Portugal (1986/87) e uma Supertaça (1988/89). A sua dedicação, profissionalismo e qualidade entre os postes deixaram uma marca indelével na história do clube. Mais do que os títulos e os números, ficará para sempre a memória de um atleta que serviu o Benfica com compromisso, paixão, orgulho e espírito de equipa, elevando os valores que definem o clube”, concluíram as águias.

O Vitória de Setúbal também se despediu do “Mãozinhas” no Instagram. “Hoje despedimo-nos de um dos nossos, de um vitoriano de alma inteira, que será para sempre recordado com carinho, respeito e gratidão”, escreveu o clube nas redes sociais, recordando um “homem da nossa terra e nome maior da história vitoriana”.

O antigo guarda-redes foi também homenageado pelo V. Guimarães, clube que representou entre 1982/83 e 1983/84, temporadas em que somou 57 jogos oficiais e contribuiu para um quarto lugar na I Liga portuguesa (1982/83), assim como uma presença nas meias-finais da Taça de Portugal, em 1983/84. “O Vitória Sport Clube manifesta o seu pesar pelo falecimento de Silvino Louro, aos 67 anos. (…) Aos familiares, amigos e antigos companheiros de equipa, o Vitória Sport Clube endereça as mais sentidas condolências pelo desaparecimento de Silvino, assinalando os anos em que serviu o clube com absoluto profissionalismo, dedicação e esforço”, lê-se na nota publicada no site oficial.

Silvino Louro, no seu pós-carreira de jogador, acompanhou José Mourinho para muitos clubes. O primeiro a reagir à notícia foi o Real Madrid, por onde passou entre 2010 e 2013 enquanto treinador de guarda-redes dos merengues. “O Real Madrid deseja expressar as suas condolências e o seu amor e afeto à família, aos seus companheiros de equipa, aos clubes e a todos os que gostavam dele“, lê-se no comunicado publicado na página oficial do clube espanhol. Em três épocas ganhou um campeonato, uma Copa del Rey e uma Supertaça espanhola.

Também o Manchester United, onde Silvino Louro esteve durante quase três épocas, destacou os três troféus vencidos durante a sua segunda passagem pelo campeonato inglês — entre eles uma Liga Europa —, mas também os quatro guarda-redes que orientou naqueles plantéis. “Ao longo de quase três épocas no United, Louro orientou um grupo coeso de guarda-redes que incluía David De Gea, Sergio Romero, Sam Johnstone e Joel Pereira. Os nossos pensamentos estão com a família e com os amigos nesta hora difícil”, escrevem no comunicado publicado no site.