Foi a pedido de uma grande parte da população norte-americana que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos da América (DOJ) divulgou mais de três milhões de páginas referentes ao caso Jeffrey Epstein. Porém, poucos meses após as primeiras partilhas, um grupo de vítimas dos crimes sexuais e de tráfico humano levados a cabo pelo empresário decidiu avançar com uma ação judicial coletiva contra o Governo e contra a Google por terem mantido informações que permitem identificar algumas das vítimas nos ficheiros.
Esta queixa, de acordo com o documento citado pela CNN Internacional, refere que nos documentos publicados pelo DOJ nos últimos meses revelaram a identidade de “aproximadamente 100 sobreviventes” e publicou “informação privada que os identificou perante o mundo”. A ação coletiva — cujo número de participantes não foi divulgado — chega menos de um mês após os responsáveis pela Justiça norte-americana terem recebido uma carta deste mesmo grupo a alertar para “milhares de erros de redação”.
Numa resposta emitida na altura, o Departamento de Justiça disse que tinha removido prontamente todos os documentos sinalizados e garantiu que iriam continuar a “processar novos pedidos” e a identificar outros documentos que precisem de ser corrigidos. Contudo, na queixa apresentada esta quinta-feira, o grupo de vítimas nota que após o compromisso da administração, “entidades como a Google continuavam a republicar [os documentos apagados], ignorando os pedidos das vítimas”.
“Os sobreviventes enfrentam agora um trauma renovado. Pessoas desconhecidas ligam-lhes, enviam-lhes e-mails, ameaçam a sua segurança física e acusam-nos de conspirarem com Epstein, quando, na realidade, são vítimas de Epstein”, lê-se na queixa.