Molly, a cadela que caiu de uma cascata de 55 metros de altura com a dona — que, depois de socorrida pelas autoridades, lhe perdeu o rasto —, foi encontrada ilesa na Nova Zelândia, após vários dias desaparecida. O resgate da border collie de quatro anos ocorreu na passada segunda-feira, após um crowdfunding lançado pela empresa Precision Helicopters, que permitiu amealhar 11.500 dólares (aproximadamente 9960 euros) no espaço de poucas horas.
O incidente aconteceu a 24 de março, durante uma caminhada pela Reserva Histórica de Waitaiki, na Costa Oeste da Nova Zelândia. Jessica Johnston passeava Molly, quando se desequilibrou e caiu, tendo perdido a consciência. Acordou instantes mais tarde, desorientada e ferida, numa piscina situada no fundo do desfiladeiro, sem saber do paradeiro da cadela ou se havia caído nas mesmas circunstâncias. Nessa altura, ativou o localizador pessoal de emergência e foi resgatada por via aérea.
▲ "Identifiquei-a com a câmara, um pequeno ponto branco e quente... aproximei a imagem e ela estava no fundo da queda de água", relatou a especialista em imagem térmica Georgina Du Val, presente no momento do resgate.
A notícia do desaparecimento de Molly popularizou-se na Nova Zelândia e chamou a atenção da piloto da empresa de helicópteros, Lily Newton. “No dia seguinte, decidimos por nossa iniciativa e com o orçamento da empresa voar até ao local e procurar a cadela”, admitiu, citada pelo The New Zealand Herald. Apesar do insucesso das primeiras buscas e do seu elevado custo, a funcionária da Precision Helicopters tinha uma forte sensação de que Molly estava viva.
Por esse motivo, decidiu lançar uma iniciativa de fundraising nas redes sociais, destinada a financiar uma segunda travessia ao local. Rapidamente, as doações ultrapassaram em muito os 2.400 dólares necessários. “Fiquei emocionada com a quantidade de pessoas que queriam fazer doações e que se voluntariaram”, reconheceu a neozelandesa. “Em oito horas, tínhamos 11.500 dólares no banco, o que é incrível”, disse ao The Press.
A operação de resgate contou com a ajuda preciosa da especialista em imagem térmica e voluntária, Georgina Du Val. Utilizando um sistema de deteção por calor, a equipa destacada de pilotos e socorristas sondou o terreno onde Molly tinha sido vista pela última vez. “Identifiquei-a com a câmara, um pequeno ponto branco e quente… aproximei a imagem e ela estava no fundo da queda de água”, relatou Du Val.
As autoridades suspeitam que a cadela permaneceu no mesmo sítio durante os sete dias de isolamento, tendo procurado alimento nas imediações, possivelmente pequenos animais, como gambás — marsupiais invasores no país. A equipa de resgate sublinhou a condição “notável” do animal, que hesitou aproximar-se no início e foi atraído pelo cão de salvamento transportado pela tripulação do helicóptero.
De novo sobre terra firme, Newton creditou o sucesso da expedição ao esforço coletivo de desconhecidos que apoiaram as buscas. “Não teria sido possível sem as doações e ajuda de todos”, reconheceu. “As pessoas realmente adoram cães.”
Jessica Johnston sobreviveu à queda sem fraturas, mas bastante magoada. Com o braço direito engessado e emocionada, reuniu-se com Molly na passada terça-feira. O piloto do helicóptero e pai de Lily, Matt Newton, desejou as melhoras à dona, citado pela CNN: “Acho que a recuperação será muito mais fácil com a cadela a seu lado.”